Axé-Amém: Livro une evangélicos e religiões de matriz africana no combate ao racismo religioso

Projeto retrata múltiplas religiosidades do povo afro-brasileiro

© Fernando Frazão/Agência Brasil

O Instituto de Estudos de Religião (Iser) promoveu a Formação Axé-Amém, uma iniciativa que buscou criar um diálogo entre diferentes expressões da fé no Brasil, reunindo pessoas negras evangélicas e de religiões de matriz africana. O objetivo foi articular estratégias de combate ao racismo religioso e promover a integração através da fé.

Como resultado da formação, 37 autores selecionados participaram da produção do livro “Axé-Amém: Encruzilhadas da Fé Negra no Brasil”. A publicação reúne vivências sobre dupla pertença religiosa, memórias familiares, formação política e práticas de resistência espiritual, baseando-se no conceito de Escrevivência, da escritora Conceição Evaristo, que parte do individual para narrar histórias coletivas.

Amanda Damasceno, uma das autoras, compartilhou que sua participação na formação ocorreu após um processo de transformação pessoal e familiar. Evangélica e mãe, ela enfrentou dificuldades em aceitar a iniciação da filha no candomblé. “Como evangélica, sempre me ensinaram que as religiões de matriz africana eram demonizadas. Ao mesmo tempo que eu queria apoiar a minha filha, tinha muito medo, e se ela entrasse aqui com aquelas roupas? Por isso que eu sempre falo, hoje o meu propósito é combater o racismo religioso na sociedade, mas para isso tive que combatê-lo em mim, a transformação teve que partir de mim”, relata.

O babalorixá Igor Almeida acredita que o projeto é uma forma de quebrar paradigmas e construir um novo olhar de respeito entre as religiões negras no Brasil. “Nosso país é pluralista, nós temos aqui uma pluralidade de religiões, de desinências, não somente negra, indígena, mamelucos, e a gente precisa aprender a ter respeito, não somente na desinência religiosa, mas no simples fato de querermos ser alguém dentro de uma sociedade”, afirmou.

Lançado no Rio de Janeiro, o livro “Axé-Amém” tem como objetivo ser uma ferramenta de debates e educação religiosa, segundo Carolina Rocha, pesquisadora do Iser e uma das idealizadoras da formação. “Esperamos que o livro funcione como ponte, não como muro. Ele foi pensado para ser lido em igrejas, terreiros, comunidades, bibliotecas, escolas e rodas de formação”, afirma. A iniciativa é vista como uma “cartografia afetiva de existências que não cabem no discurso do ódio”, e a alta adesão de evangélicos ao projeto surpreendeu positivamente os organizadores.

Fonte e Fotos: Agência Brasil

https://agenciabrasil.ebc.com.br/cultura/noticia/2025-12/projeto-retrata-multiplas-religiosidades-do-povo-afro-brasileiro

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