Lideranças femininas debatem equidade de gênero e raça como motor para resultados em empresas
© Marcelo Camargo/Agência Brasil
Em Brasília, um seminário reuniu nesta terça-feira (2) líderes femininas de diversas empresas brasileiras para discutir estratégias contra a discriminação e desigualdade de gênero e raça no ambiente de trabalho. Os relatos convergiram na demonstração de que a equidade impulsiona resultados econômicos, financeiros e socioambientais.
Alessandra Souza, vice-presidente de Marketing de uma montadora, compartilhou sua experiência, relembrando as dificuldades iniciais em conciliar sua identidade com as expectativas de uma gestão mais “masculinizada”. “A minha carreira aconteceu quando eu deixei de tentar ser uma coisa que não sou. Deixei de tentar me encaixar em padrões que não serviam para mim e tão pouco serviam para a organização, tão pouco agregava valor onde eu estava”, afirmou.
Ana Paula Repezza, diretora da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos, destacou como a experiência da maternidade aprimorou suas habilidades de liderança. “De fato, a gente se torna líderes melhores quando a gente enfrenta o desafio de conciliar família e trabalho, porque a gente aprende a delegar, a priorizar, a confiar nas pessoas e, o mais importante, a gente aprende a olhar para outras mulheres da forma como a gente quer ser olhada”, pontuou.
Ambas as executivas atuam em empresas participantes do Programa Pró-Equidade de Gênero e Raça, iniciativa do Ministério das Mulheres que visa promover a igualdade no ambiente de trabalho. O programa certifica empresas com o Selo Pró-Equidade, reconhecendo seu compromisso com a igualdade entre homens e mulheres.
O evento também abordou dados do 4º Relatório de Transparência Salarial, que revelou uma diferença salarial média de 21,2% entre homens e mulheres no Brasil.
Atualmente, 88 empresas de todo o país participam do Programa Pró-Equidade de Gênero e Raça. Glenda Nóbrega, gerente executiva de diversidade e inclusão da Caixa Econômica Federal, uma das empresas participantes desde a primeira edição, ressaltou a importância de um ambiente corporativo favorável ao crescimento de mulheres e minorias. “Tem três coisas que acho muito importantes na minha trajetória. Ter pessoas que me impulsionassem, estar sempre preparada para as oportunidades que surgissem e a empresa ter um ambiente favorável ao nosso crescimento, seja de mulheres, de pessoas pretas de pessoas e PCDs [pessoa com deficiência]”, disse.
Tereza Cristina de Oliveira, diretora da Embrapa Tabuleiros Costeiros, enfatizou o potencial transformador da política pública, capaz de impactar toda a sociedade, e a importância de as líderes femininas abrirem oportunidades para outras mulheres. “Se a gente não tiver a clareza de que as mudanças na sociedade se dão pelo nosso envolvimento, pela nossa luta e pelas nossas escolhas a gente não está fazendo nada enquanto gente, ser humano e pelas mudanças que queremos”, concluiu.
Fonte e Fotos: Agência Brasil
https://agenciabrasil.ebc.com.br/geral/noticia/2025-12/mulheres-lideres-relatam-desafios-na-busca-por-equidade-na-carreira
