Igualdade Racial no Brasil: Entre Avanços e Recrudescimento do Racismo
© Fernando Frazão/Agência Brasil
Em meio a avanços como as políticas de cotas raciais e a demarcação de territórios quilombolas, o Brasil ainda enfrenta um cenário preocupante de violência racial e a persistência de movimentos que negam o racismo. Ativistas do movimento negro apontam que a igualdade racial ainda é um objetivo distante, mas que a luta da população negra continua a avançar.
Carmela Zigoni, do Inesc, expressa preocupação com o lento progresso na busca por equidade racial, destacando o racismo ainda presente no país. Ela cita o caso da invasão de uma escola em São Paulo por policiais militares após um pai ter se incomodado com o desenho de um orixá feito pela filha, como um exemplo de retrocesso. A especialista critica a gestão do governo Bolsonaro por, segundo ela, ter retirado a política de igualdade racial do plano de governo. No entanto, ela elogia a retomada dessa política pelo governo federal, com a reestruturação do Sinapir e a destinação de orçamento para ações afirmativas.
Lúcia Xavier, da ONG Criola, reconhece que a mudança de governo trouxe um ambiente um pouco mais favorável, mas ressalta que ainda há muito a ser feito para superar a desigualdade e a violência que afetam a população negra. Ela destaca a importância das ações afirmativas na educação, mas aponta para a falta de oportunidades de trabalho e a violência policial como desafios persistentes.
Alane Reis, da Revista Afirmativa, celebra as conquistas da luta pela igualdade racial, como as políticas afirmativas e o direito à terra para as comunidades quilombolas, que ajudaram a desmistificar a ideia de democracia racial no Brasil. No entanto, ela ressalta que a população negra, em especial as mulheres, ainda enfrenta os piores indicadores sociais em diversas áreas. Ela enfatiza a importância de políticas que incentivem o acesso a direitos e oportunidades, e celebra a mudança na percepção da juventude negra, que hoje se orgulha de sua identidade.
Dados do Ministério dos Direitos Humanos e Cidadania revelam que o Disque 100 registrou quase 14 mil denúncias de violações ligadas à igualdade racial até meados de novembro, com São Paulo liderando o número de casos. As mulheres são as principais vítimas de racismo, representando mais da metade das denúncias.
Fonte e Fotos: Agência Brasil
https://agenciabrasil.ebc.com.br/direitos-humanos/noticia/2025-11/igualdade-racial-ainda-e-cenario-distante-avaliam-ativistas-negras
