PF investiga fraudes de R$ 12 bilhões no sistema financeiro e mira Banco Master
© Andressa Anholete/Agência Senado
A Polícia Federal (PF), em colaboração com o Banco Central e o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), deflagrou a Operação Compliance Zero, que investiga fraudes no sistema financeiro nacional que podem ter alcançado R$ 12 bilhões. A informação foi divulgada pelo diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, durante depoimento na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Senado que apura o crime organizado.
Entre os investigados na operação está Daniel Vacaro, proprietário do Banco Master, que foi detido no Aeroporto de Guarulhos. Também são alvos da investigação o presidente do Banco Regional de Brasília (BRB), Paulo Henrique Costa, e o diretor de Finanças e Controladoria do banco, Dario Oswaldo Garcia Júnior, ambos afastados de seus cargos por decisão judicial.
Segundo Rodrigues, durante as primeiras diligências da operação, foram apreendidos R$ 1,6 milhão em espécie na residência de um único investigado. O diretor-geral da PF confirmou ainda que a operação resultou em “várias prisões”.
A Operação Compliance Zero teve início em 2024 e visa apurar a emissão de títulos de créditos falsos por instituições do Sistema Financeiro Nacional. As investigações apontam que as instituições simulavam operações de crédito, como empréstimos, e negociavam essas carteiras com outros bancos. Após a aprovação da contabilidade pelo Banco Central, os créditos fraudulentos eram substituídos por outros ativos sem a devida avaliação técnica. O Banco Master é o principal alvo da investigação, instaurada a pedido do Ministério Público Federal (MPF).
Diante das irregularidades, o Banco Central oficializou a liquidação extrajudicial da Master Corretora de Câmbio, Títulos e Valores Imobiliários, nomeando a empresa EFB Regimes Especiais de Empresas como liquidante extrajudicial e Eduardo Felix Bianchini como responsável técnico.
O Banco Master ganhou notoriedade por oferecer rendimentos elevados, de até 140% do Certificado de Depósito Bancário (CDI), para atrair investidores, além de realizar operações com precatórios que levantaram dúvidas sobre sua saúde financeira. No dia anterior à operação, o grupo Fictor, de investimentos e gestão de empresas, havia anunciado a intenção de comprar o Banco Master.
O BRB, por meio de nota, afirmou que “[O BRB] sempre atuou em conformidade com as normas de compliance e transparência, prestando, regularmente, informações ao Ministério Público Federal e ao Banco Central sobre todas as operações relacionadas [às negociações de compra do] Banco Master”.
Fonte e Fotos: Agência Brasil
https://agenciabrasil.ebc.com.br/politica/noticia/2025-11/fraudes-no-master-podem-chegar-r-12-bilhoes-estima-diretor-da-pf
