Protestos Nacionais Clamam por Justiça Após Operação Letal no Rio

Em atos, movimento negro pede investigação independente de ação no Rio

© Paulo Pinto/Agência Brasil

Manifestações em diversas capitais do país, incluindo Rio de Janeiro, São Paulo, Brasília e São Luís, no Maranhão, marcaram o dia contra a Operação Contenção, realizada no Rio de Janeiro e que resultou em 121 mortes, sendo considerada a mais letal da história do Brasil.

No Rio de Janeiro, moradores dos complexos da Penha e do Alemão, juntamente com outras comunidades, realizaram uma caminhada na Vila Cruzeiro, onde se reuniram em um campo de futebol. Entre os manifestantes, estavam mães de jovens falecidos em operações policiais anteriores.

Em São Paulo, o movimento negro tomou a Avenida Paulista para exigir a federalização da investigação da ação policial e a criminalização do governador Cláudio Castro e dos policiais militares envolvidos. Douglas Belchior, da Coalizão Negra por Direitos e da Uneafro Brasil, enfatizou a necessidade de “federalização das investigações e a criação de políticas de acolhimento e acesso à justiça para as famílias vítimas da violência. Por reparação aos moradores por danos morais e psicológicos dessa política genocida do Estado brasileiro”. Zezé Menezes, fundadora da Marcha das Mulheres Negras de São Paulo, complementou: “Mataram em um dia mais do que em Gaza. Lá é declarada a guerra, aqui não, mas ela existe, sempre existiu. Estamos aqui para fazer o combate. Mas sem armas de fogo. Com os nossos cérebros e com a com a força dos movimentos sociais e da população”.

Em São Luís, no Maranhão, a Praça Deodoro foi palco de protestos com cartazes e faixas que criticavam a violência policial. O estudante Alex Silva, de 18 anos, classificou a operação como “necropolítica” e criticou o governador Castro por considerar a ação um sucesso. Claudicéia Durans, do movimento Quilombo Classe e Raça, declarou: “Não pode ser normal uma situação dessa em que o Estado não entra com nenhuma política pública e quando a população fica à mercê de facções criminosas acontecer esse massacre. Nós somos totalmente contra as facções criminosas, somos a favor da população. A polícia, quando entrou nesses territórios, não se atentou para se as pessoas tinham algum envolvimento com a criminalidade”. Saulo Arcângelo, da central sindical Conlutas, criticou a ausência de políticas públicas para a juventude.

Em Brasília, a manifestação ocorreu próximo à Esplanada dos Ministérios, com os participantes defendendo uma investigação independente da Operação Contenção. Maria das Neves, do Conselho Nacional de Direitos Humanos, afirmou que “O que ocorreu foi um brutal atentado contra a vida do povo preto e favelado”. O conselho solicitou ao STF que o governador Cláudio Castro preste informações sobre a ação policial e pediu à ministra dos Direitos Humanos, Macaé Evaristo, uma perícia independente.

Fonte e Fotos: Agência Brasil

https://agenciabrasil.ebc.com.br/direitos-humanos/noticia/2025-10/em-atos-movimento-negro-pede-investigacao-independente-de-acao-no-rio

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