Brasil lidera desinformação sobre vacinas na América Latina, aponta estudo
Um estudo recém-divulgado aponta que o Brasil lidera a disseminação de desinformação sobre vacinas na América Latina, concentrando 40% dos conteúdos desse tipo no Telegram. A pesquisa, intitulada “Desinformação Antivacina na América Latina e no Caribe”, analisou 81 milhões de mensagens em comunidades de teorias da conspiração, identificando 175 supostos danos atribuídos às vacinas e 89 falsos antídotos.
O levantamento, realizado pelo Laboratório de Estudos sobre Desordem Informacional e Políticas Públicas da Fundação Getulio Vargas, revela que o Brasil é o país com maior volume de mensagens e usuários ativos em grupos que disseminam informações falsas sobre imunização, totalizando mais de 580 mil conteúdos. Ergon Cugler, coordenador do estudo, atribui essa liderança à falta de regulação no ambiente digital brasileiro e à polarização da sociedade, que cria um terreno fértil para teorias conspiratórias.
Colômbia, Peru e Chile também se destacam no ranking de países com maior volume de mensagens falsas sobre vacinas. Entre as alegações mais comuns, estão as de que a vacina provoca morte súbita, altera o DNA, causa Aids, envenenamento ou câncer. Além disso, os grupos conspiratórios divulgam falsos “antídotos”, como andar descalço para limpar energias ou consumir dióxido de cloro, substância que o Ministério da Saúde alerta ser perigosa e potencialmente fatal.
Cugler ressalta que “Temos um ambiente digital ainda pouco regulado, com plataformas que lucram com o engajamento por meio do medo. Temos também uma sociedade polarizada, o que cria um terreno fértil para o discurso conspiratório”, e alerta que “Ela [a desinformação] funciona como um funil de vendas: primeiro, espalha medo com alegações falsas sobre vacinas e, depois, oferece produtos, cursos e terapias como supostas ‘curas’. O antivacinismo virou um mercado, onde o pânico é transformado em lucro. Essas comunidades exploram o medo, misturam pseudociência com espiritualidade e vendem soluções milagrosas sem base científica”.
O estudo também revela que o volume de desinformação sobre vacinas aumentou significativamente durante a pandemia de Covid-19, com um crescimento de 689,4 vezes entre 2019 e 2021. Embora tenha diminuído após o pico, o volume atual ainda é 122,5 vezes maior do que em 2019.
Diante desse cenário, o Ministério da Saúde reforça que “Usado em produtos de limpeza, a substância, conhecida também pelos nomes MMS, CDS e Solução Mineral Milagrosa, foi muito propagada durante a pandemia de covid-19, mesmo sem nenhuma eficácia comprovada. O importante é entender o perigo de usar a substância, que é altamente reativa e tóxica, podendo levar as pessoas a graves riscos à saúde”, informou o ministério da saúde em uma publicação feita no ano passado, alertando que essa substância pode, inclusive, levar à morte”. E lançou o programa Saúde com Ciência para combater a desinformação e promover a vacinação, disponibilizando informações confiáveis e canais para denúncia de conteúdos enganosos. A pasta ressalta que a propagação de fake news impacta negativamente a adesão da população às campanhas de imunização e orienta a população a buscar informações em fontes oficiais e a conversar com profissionais de saúde.
Fonte e Fotos: Agência Brasil
https://agenciabrasil.ebc.com.br/saude/noticia/2025-10/brasil-lidera-desinformacao-sobre-vacina-na-america-latina-diz-estudo
