Isenção do IR até R$ 5 mil é aprovada e gera otimismo, mas especialistas cobram mais avanços
© Marcello Casal JrAgência Brasil
A Câmara dos Deputados aprovou por unanimidade um projeto de lei que visa isentar do Imposto de Renda (IR) trabalhadores que recebem até R$ 5 mil e reduzir a taxação para aqueles com salários de até R$ 7.350. A medida, vista como um avanço por especialistas e representantes do setor produtivo, incluindo trabalhadores, segue agora para o Senado. Se aprovada em todas as instâncias e sancionada ainda este ano, a mudança deve entrar em vigor em janeiro de 2026.
O economista Pedro Rossi, da Unicamp, classificou a aprovação como “histórica”, enquanto o presidente da CUT, Sérgio Nobre, celebrou a medida como “uma vitória muito grande da classe trabalhadora”.
Luiz Gonzaga de Mello Belluzzo, também da Unicamp, ressaltou a importância do sistema tributário na distribuição de renda, e previu que a isenção pode impulsionar o crescimento econômico, gerando aumento no consumo e expansão de investimentos.
Segundo cálculos do Ipea, a classe média baixa poderá ter um alívio mensal entre R$ 350 e R$ 550. Para exemplificar, quem ganha R$ 5 mil terá um “refresco” de R$ 312,89 mensais, enquanto um salário de R$ 6,5 mil terá um alívio de R$ 113,18, conforme a empresa de contabilidade Confirp. Atualmente, a isenção do IR é válida apenas para quem ganha até R$ 3.036.
A medida deve beneficiar 15,5 milhões de pessoas, gerando uma renúncia fiscal de R$ 25,4 bilhões. Para compensar essa perda, o projeto prevê uma cobrança adicional para quem tem rendimento tributável acima de R$ 600 mil ao ano.
Gilberto Braga, do Ibmec, acredita que a medida resultará em melhoria do poder de compra e redução do endividamento das famílias. Sérgio Nobre, da CUT, comparou o benefício a um 14º salário, mas lamentou a não inclusão da isenção sobre participação de lucros e resultados (PLR).
Pedro Rossi, da Unicamp, considera a taxação dos mais ricos um avanço, embora ainda tímido, e defende a criação de novas alíquotas para as faixas de renda mais altas. Já Pedro Humberto de Carvalho, do Ipea, destacou que o Brasil é um dos poucos países que não tributam dividendos de forma geral, e que o PL trará uma tributação baixa, mas efetiva, dos dividendos.
A CNC classificou a medida como positiva e socialmente justa, mas manifestou preocupação em relação ao financiamento, defendendo que a ampliação da isenção do IR deve ser acompanhada de ajustes que não prejudiquem a competitividade das empresas.
Mário Sérgio Telles, da CNI, apontou que o setor industrial apoia a isenção, que corrige anos de defasagem, e vê a menor cobrança de imposto como um incentivo à demanda.
Fonte e Fotos: Agência Brasil
https://agenciabrasil.ebc.com.br/economia/noticia/2025-10/economistas-e-setor-produtivo-veem-avanco-na-isencao-de-ir
