Ensino Superior no Brasil: Desafios de Evasão e Retorno Salarial
© Arquivo/Agência Brasil
Um estudo recente da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) revelou dados preocupantes sobre o ensino superior no Brasil, apesar dos benefícios salariais significativos associados à conclusão de um diploma. O relatório “Education at a Glance 2025” aponta que, embora brasileiros com ensino superior ganhem, em média, 148% a mais do que aqueles com ensino médio, um percentual superior à média da OCDE, o país enfrenta desafios consideráveis em relação ao acesso, à permanência e à qualidade da educação superior.
De acordo com o IBGE, apenas 20,5% dos brasileiros com 25 anos ou mais possuem ensino superior completo. O estudo da OCDE também destaca que 24% dos jovens brasileiros entre 18 e 24 anos não estão empregados, estudando ou em treinamento, uma taxa superior à média da OCDE. Além disso, o abandono dos estudos é um problema persistente: 25% dos estudantes abandonam o ensino superior após o primeiro ano, e menos da metade conclui o curso no tempo previsto ou em até três anos após esse período.
O relatório sugere que as altas taxas de evasão podem indicar um desalinhamento entre as expectativas dos alunos e o conteúdo dos cursos, refletindo a falta de orientação profissional adequada. Apesar dos desafios, o estudo aponta que as mulheres apresentam maior probabilidade de concluir o ensino superior em comparação com os homens, com uma diferença de 9 pontos percentuais no Brasil.
Embora os gastos governamentais com o ensino superior no Brasil sejam inferiores à média da OCDE em valores absolutos, representando US$ 3.765 por aluno, o investimento em relação ao Produto Interno Bruto (PIB) é semelhante à média da OCDE, correspondendo a 0,9% do PIB.
Diante desse cenário, o secretário-geral da OCDE, Mathias Cormann, enfatiza a necessidade de fortalecer a preparação acadêmica, a orientação profissional e a flexibilidade dos programas de ensino superior, visando aumentar a qualidade da educação oferecida e garantir que os investimentos tragam um retorno efetivo. Cormann defende “opções de ensino superior mais inclusivas e flexíveis”, incluindo “programas personalizados para estudantes do ensino profissional, processos de admissão que reconheçam melhor os diversos perfis de alunos e ofertas mais curtas e direcionadas”. Ele também destaca que “é preciso melhorar os indicadores não apenas no Brasil, mas em todo o conjunto de países, para que tanto a formação seja melhor, quanto para que os investimentos tenham mais retorno.”
Fonte e Fotos: Agência Brasil
https://agenciabrasil.ebc.com.br/educacao/noticia/2025-09/ensino-superior-no-brasil-pode-mais-que-dobrar-salario
