Tarifas dos EUA atingem exportações de São Paulo, SC e Paraná.
© Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil
Uma nova rodada de tarifas dos EUA contra produtos brasileiros, anunciada para entrar em vigor a partir de 22 de julho, ameaça um volume de vendas que totaliza US$ 7,4 bilhões, com um impacto direto e concentrado em dois estados-chave: São Paulo e Santa Catarina. Juntos, eles absorvem 52% dos prejuízos estimados pelas sobretaxas de 25% impostas por Washington, que alega a existência de práticas comerciais “desleais” por parte do Brasil. A medida, confirmada pelo Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR), projeta uma retração significativa para as exportações brasileiras ao mercado americano.
O governo brasileiro, por sua vez, rejeita veementemente as justificativas apresentadas pelos norte-americanos para a imposição das novas restrições comerciais EUA. As tarifas adicionais de 25% afetarão cerca de 19,2% do total de exportações brasileiras destinadas aos Estados Unidos, um dos principais parceiros comerciais do país. Os dados detalhados sobre o alcance do impacto foram compilados pela Apex Brasil, a Agência Brasileira para Promoção de Exportações e Investimentos, vinculada ao Ministério de Desenvolvimento, Comércio e Indústria (MDCI).
Concentração do Impacto nas Exportações Brasileiras
No cenário nacional, o estado de São Paulo emerge como o mais vulnerável em termos absolutos, respondendo por US$ 3 bilhões do valor total das exportações atingidas pelas medidas tarifárias. Este montante representa 41,6% do impacto global e corresponde a 20% das exportações paulistas destinadas ao mercado dos EUA. A economia mais robusta do país, portanto, sente um peso considerável das novas barreiras.
Entretanto, proporcionalmente, Santa Catarina enfrenta uma situação ainda mais crítica. O estado catarinense verá 68% de suas exportações para os Estados Unidos serem afetadas pelo novo regime de tarifas americanas, evidenciando uma dependência comercial mais acentuada com aquele país para determinados setores.
Setores Chave Atingidos pelas Tarifas Americanas
Além das regiões, setores específicos da economia brasileira estão na mira das novas tarifas. O setor madeireiro do Paraná, por exemplo, sofrerá um golpe substancial. Os Estados Unidos são um grande importador de madeira do Brasil, com 30% de suas compras externas do produto vindo do país. Desse total, notáveis 66,7% têm origem no Paraná, tornando o estado paranaense particularmente exposto ao impacto tarifário.
O presidente da Apex Brasil, Laudemir Müller, comentou sobre as consequências dessas ações para ambas as nações. “Isso é ruim para as empresas do Paraná que trabalham com esse setor. Isso é ruim para quem importa madeira nos (EUA). Isso é ruim para a construção civil de lá, para quem vai comprar casa. Ou seja, isso tem impacto na inflação americana”, declarou Müller.
Outro produto fundamental para a pauta de exportações brasileiras e que foi incluído no “tarifaço” é o granito. Os EUA também são um importador-chave de granito do Brasil, um material amplamente utilizado na construção civil. Conforme a Apex Brasil, 36% do granito importado pelos Estados Unidos é proveniente do território brasileiro, demonstrando uma forte dependência do fornecimento nacional.
Laudemir Müller também destacou a dificuldade para o mercado americano encontrar alternativas imediatas para esses produtos essenciais. “Não há como, de uma hora para outra, o americano, que tem 30% do seu suprimento de madeira do Brasil para construção, buscar em outro local. Não tem como buscar granito em outro local com essa dependência de 36%”, argumentou o presidente da Apex Brasil, sublinhando a integração das cadeias de suprimentos.
Plano de Apoio e Diversificação de Mercados
Diante do cenário desafiador imposto pelas tarifas dos EUA, a Apex Brasil já anunciou um plano de resposta robusto. A agência destinará R$ 130 milhões para auxiliar as empresas brasileiras afetadas a buscarem e diversificarem seus mercados de exportação, buscando reduzir a dependência do mercado americano e mitigar os efeitos das sobretaxas. A iniciativa visa fortalecer a resiliência das companhias frente a barreiras comerciais imprevistas.
Fonte e Fotos: Agência Brasil
https://agenciabrasil.ebc.com.br/economia/noticia/2026-07/sao-paulo-e-santa-catarina-sofrem-52-do-impacto-do-tarifaco-dos-eua

