Diretor do programa de imunizações atribui cobertura infantil de 5% contra covid à desinformação
© Tomaz Silva/Agência Brasil
A vacinação infantil contra covid alcançou 5% das crianças pequenas com as três doses previstas, segundo o Programa Nacional de Imunizações (PNI), do Ministério da Saúde. Eder Gatti, diretor do programa, atribui o percentual à desinformação e aos ataques contra os imunizantes feitos durante a pandemia, inclusive por integrantes do governo da época.
Em 2026, a doença provocou mais de 1,1 mil internações de crianças menores de 14 anos com quadros respiratórios graves e levou à morte de 25 crianças e adolescentes no Brasil. Desse total, 15 tinham menos de 2 anos. A vacina passou a integrar o calendário básico desde 2024, com aplicação prevista aos 6, 7 e 9 meses, embora possa ser administrada antes dos 5 anos.
Vacinação infantil contra covid registra 5%
Em entrevista à Agência Brasil durante a 28ª Jornada Nacional da Sociedade Brasileira de Imunizações, no Rio de Janeiro, Gatti disse que o país mantém estoques e contratos para garantir o abastecimento. Segundo ele, a baixa adesão está relacionada ao discurso antivacina. “Tem que pôr na conta de quem de fato deve”, afirmou.
A vacinação contra a covid em crianças começou em janeiro de 2022, quase um mês depois da autorização da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Entre 2020 e 2022, mais de 23 mil crianças de até 11 anos tiveram Síndrome Respiratória Aguda Grave associada ao coronavírus, e 1.067 morreram.
Uma pesquisa da Universidade de São Paulo, com dados de 24 cidades brasileiras, apontou redução de 97% nos casos graves entre crianças vacinadas. No mesmo período, de 2020 a 2023, foram registrados 2.115 casos de Síndrome Inflamatória Multissistêmica, com 142 mortes entre crianças e adolescentes.
Monitoramento orienta uso das vacinas
Mais de 6 milhões de doses contra covid foram aplicadas em crianças durante a pandemia. Não houve registro de morte associado à vacinação, e 92% das reações notificadas foram leves e esperadas, como febre e dor no local da aplicação, segundo o Ministério da Saúde.
As vacinas do Sistema Único de Saúde são acompanhadas continuamente. Quando surge suspeita de reação grave, o caso é investigado e o resultado pode levar à mudança da estratégia ou à suspensão do produto.
O PNI organiza a oferta de vacinas e a distribuição aos serviços de saúde. No caso do imunizante infantil contra covid, os frascos ficam congelados e precisam ser descongelados antes do uso. Após esse processo, a validade passa a ser de dez semanas; depois disso, a dose precisa ser descartada se não tiver sido aplicada.
Créditos da imagem: © Tomaz Silva/Agência Brasil
Com informações da Agência Brasil
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