Sônia Guajajara marca audiência para 17 de novembro sobre Comissão Indígena da Verdade

Comissão da Verdade Indígena será tema de audiência na Câmara

© Bruno Peres/Agência Brasil

A Comissão Nacional Indígena da Verdade será discutida em uma audiência pública marcada para 17 de novembro, na Câmara dos Deputados. A iniciativa é da deputada federal e ex-ministra Sônia Guajajara, que pretende levar ao Congresso a proposta de criação do colegiado.

A reunião foi autorizada pelo Requerimento nº 86/2026, aprovado pela Comissão da Amazônia e dos Povos Originários e Tradicionais. Devem participar lideranças indígenas, representantes do poder público, do sistema de Justiça, da sociedade civil e pesquisadores.

Audiência reunirá diferentes setores

O documento cita a Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib) entre as entidades que defendem a produção de novos registros sobre violações cometidas contra povos originários durante a ditadura militar. A proposta prevê reunir informações sobre escravização, estupros, envenenamentos, torturas, remoções territoriais, prisões ilegais, desaparecimentos e destruição de bens culturais.

A Comissão Nacional da Verdade (CNV) registrou impactos na vida de dez povos indígenas. O movimento indígena reconhece o trabalho, mas considera que o levantamento não alcançou toda a dimensão das violências. A audiência deverá receber contribuições para ampliar a documentação existente.

A CNIV é uma comissão voltada à apuração histórica de violações cometidas contra povos indígenas e à identificação de responsabilidades. Em propostas desse tipo, depoimentos, documentos e pesquisas podem ser reunidos para organizar registros sobre os fatos e seus impactos.

Dados anteriores embasam proposta

Um levantamento sobre os povos Tapayuna, Parakanã, Araweté, Arara, Panará, Waimiri-atroari, Cinta-larga, Xetá, Yanomami e Xavante estimou 8.350 indígenas assassinados entre 1964 e 1985. Essas populações representavam 3,3% dos povos identificados no período. A contagem oficial relaciona 305 povos, número que aumenta com os grupos classificados como isolados e pode ser inferior à quantidade real.

O jornalista Marcelo Zelic, morto em maio de 2023 após um acidente vascular cerebral, integrou o Grupo de Trabalho Indígena da CNV e contestou o relatório concluído em 2014. Depois de manifestações do grupo e críticas de Zelic, uma versão do documento foi substituída durante a 29ª Reunião Brasileira de Antropologia.

Zelic defendia uma estrutura com coordenação-geral, equipe técnica e um colegiado formado por órgãos públicos, representantes indígenas e entidades da sociedade civil. Sônia Guajajara afirmou: “Não podemos construir uma democracia verdadeira sem reconhecer as violências cometidas contra os povos indígenas.”

Créditos da imagem: © Bruno Peres/Agência Brasil


Com informações da Agência Brasil

Redação Extra News Goiás
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