Oftalmologista Raíra Fortuna aponta estratégias para atender crianças com autismo
© Paula Laboissière/Agência Brasil
O atendimento oftalmológico de crianças com autismo precisa incluir ajustes no ambiente, nos materiais e na forma de conduzir a consulta, segundo a oftalmologista Raíra Fortuna. Ela também defende que toda a equipe do consultório receba capacitação para lidar com pacientes com transtorno do espectro autista (TEA).
A médica apresentou essas estratégias durante o 70º Congresso Brasileiro de Oftalmologia, realizado em Salvador e com programação até 12. Ao tratar das dificuldades durante os exames, Raíra afirmou: “Quando o exame não funciona, talvez o problema esteja nas formas como estamos examinando”.
Atendimento oftalmológico de crianças com autismo
Entre os obstáculos estão a hipersensibilidade a estímulos, a dificuldade de lidar com mudanças na rotina e a baixa adesão ao tratamento em casa. Algumas crianças também rejeitam o uso de óculos ou do tampão de olho.
Raíra afirmou que cerca de 40% das crianças com TEA apresentam transtornos de ansiedade associados ao quadro. Segundo ela, menos de 4% dos médicos especialistas dizem ter recebido algum tipo de capacitação para atender pessoas no espectro.
A dificuldade pode impedir a conclusão do exame, que é necessário para acompanhar a saúde ocular. Estudos citados no texto apontam prevalência de estrabismo de cerca de 41% entre crianças com TEA, contra 3% entre crianças com desenvolvimento típico.
Para a oftalmologista, reações interpretadas como mau comportamento podem estar relacionadas à confusão ou à sobrecarga provocada pelo atendimento. Ela resumiu essa avaliação dizendo: “É a manifestação do autismo em um ambiente pouco adaptado”.
A adaptação começa no consultório
O exame oftalmológico é usado para acompanhar as condições dos olhos e depende da realização das etapas previstas na consulta. Quando a criança não consegue permanecer no procedimento, a avaliação pode ficar incompleta.
A preparação do espaço, dos objetos usados no exame e das estratégias de abordagem pode tornar o atendimento mais acessível. A capacitação da equipe faz parte desse preparo, segundo Raíra.
A especialista também afirmou que adaptar a consulta exige investimento, mas avaliou que a medida contribui para que crianças com TEA recebam o acompanhamento oftalmológico necessário.
Créditos da imagem: © Paula Laboissière/Agência Brasil
Com informações da Agência Brasil
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