Duas universidades públicas brasileiras integram consórcio global por novos tratamentos para hepatite B
© Hucam/Divulgação
Uma pesquisa internacional sobre tratamento para hepatite B reúne grupos de estudo de Brasil, Índia, Senegal e Uganda em um consórcio liderado pela Faculdade de Medicina da Universidade Johns Hopkins, nos Estados Unidos. No Brasil, participam o Hospital Universitário Cassiano Antônio Moraes da Universidade Federal do Espírito Santo (Hucam-Ufes) e a Universidade de São Paulo (USP).
O trabalho vai investigar o comportamento do vírus nas células e as respostas imunológicas de pacientes de diferentes países. Também serão acompanhadas pessoas com hepatite B e HIV, em um estudo que deverá durar cerca de cinco anos no Brasil e tem prazo até meados de 2027.
A doença pode atingir o fígado
A hepatite B é uma infecção viral que afeta o fígado e pode evoluir para cirrose, câncer hepático e morte. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), cerca de 240 milhões de pessoas viviam com a forma crônica da doença em 2024. No Brasil, o Ministério da Saúde registrou 276,6 mil casos confirmados entre 2000 e 2022.
A transmissão pode ocorrer por relações sexuais ou pelo contato com sangue contaminado, inclusive durante a gestação e o parto. De acordo com a Sociedade Brasileira de Clínica Médica, o vírus da hepatite B é 100 vezes mais contagioso que o HIV.
A principal forma de prevenção é a vacina, disponível no Sistema Único de Saúde (SUS) para pessoas não vacinadas de qualquer idade. Para crianças, o esquema prevê quatro doses: ao nascer e aos 2, 4 e 6 meses. Para adultos, em regra, são três doses. O uso de preservativos e o não compartilhamento de objetos perfurocortantes e itens pessoais também são medidas preventivas.
Tratamento para hepatite B busca novos alvos
O consórcio foi criado em 2023, suspenso em 2024 e retomado depois. A equipe coordenada pela professora Tânia Reuter, do Hucam-Ufes, acompanha 75 pacientes. O recrutamento começou em julho, e 40 participantes já fazem parte do grupo. Ao todo, a pesquisa terá 600 pacientes, sendo 150 de cada país, acompanhados por cerca de quatro anos e meio.
O estudo pretende comparar a evolução da infecção entre os pacientes, identificar características genéticas associadas à proteção contra o avanço da doença e analisar subpartículas do vírus que possam indicar possibilidades de cura ou tratamento. “A hepatite B não tem cura, esse é o grande objetivo global”, afirmou Reuter.
Coinfecção é o termo usado quando a mesma pessoa apresenta duas infecções ao mesmo tempo, como hepatite B e HIV. A análise conjunta permite observar como os agentes infecciosos e o sistema imunológico se comportam nessa condição. Segundo a pesquisadora, os resultados podem indicar alvos para o desenvolvimento de medicamentos, incluindo substâncias que estimulem ou modulem a resposta imunológica.
Créditos da imagem: © Hucam/Divulgação
Com informações da Agência Brasil
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