“Se for me expulsar por infidelidade partidária, tem que começar pelo presidente”, diz Márcio Corrêa
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O prefeito de Anápolis, Márcio Corrêa (PL), reagiu nesta quinta-feira (27) à abertura de uma representação contra ele dentro do Partido Liberal (PL) de Goiás e questionou os critérios usados pela legenda para cobrar fidelidade partidária. A Comissão Executiva Estadual aceitou a representação e encaminhou o caso ao Conselho de Ética do partido.
A medida foi tomada após Corrêa declarar apoio à reeleição de Daniel Vilela (MDB) ao Governo de Goiás, mesmo com o PL tendo o senador Wilder Morais como candidato ao cargo. O prefeito confirmou o apoio no sábado (22), durante evento político em Anápolis, e desde então passou a ser alvo de uma representação ético-disciplinar.
Márcio Corrêa cobra coerência do PL
No vídeo, Corrêa afirmou que mantém apoio a Flávio Bolsonaro para a Presidência e a Major Vitor Hugo para deputado federal. Ele também disse que recebeu uma ligação de Flávio e mensagens de outras lideranças da direita após a movimentação dentro do PL.
Ao questionar a fidelidade partidária, o prefeito citou a ausência de Wilder Morais na votação da indicação de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal (STF). Corrêa também afirmou que o senador deveria ter sua atuação comparada à dele em votações relacionadas ao governo Luiz Inácio Lula da Silva.
O prefeito ainda criticou a atuação de Wilder em outras decisões políticas e afirmou que deputados federais e demais integrantes do PL teriam demonstrado interesse em apoiar o atual governo estadual para buscar uma união entre grupos da direita. Na avaliação de Corrêa, interesses pessoais teriam se sobreposto aos interesses da legenda.
Wilder, que preside o PL em Goiás, havia afirmado que lamentava a abertura do processo interno. Segundo informações divulgadas sobre a reunião desta quinta-feira, a representação foi apresentada por um filiado do partido após o apoio público de Corrêa a Daniel.
Processo ainda terá defesa
A representação aceita pela Executiva não significa que Márcio Corrêa tenha sido expulso ou punido. O caso seguirá para o Conselho de Ética, responsável pela análise do processo, enquanto o prefeito terá direito à defesa antes de uma decisão definitiva.
O conflito começou após Corrêa apoiar Daniel Vilela, adversário de Wilder na disputa pelo Governo de Goiás. Com a adesão do prefeito de Anápolis, Daniel passou a contar com o apoio dos prefeitos das dez maiores cidades do estado.
Corrêa afirmou que não pretende recuar da posição e defendeu que a cobrança por fidelidade seja aplicada de maneira uniforme dentro do partido. “O pau que bate o Chico bate o Francisco”, declarou, antes de dizer que, se houver expulsões por infidelidade partidária, a cobrança deveria começar pela direção da legenda.
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