EUA impõem novas tarifas a US$ 6,6 bi em produtos do Brasil, diz Mdic
© Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil
Goiânia (GO) — Novas tarifas impostas pelos Estados Unidos afetarão US$ 6,6 bilhões em produtos brasileiros exportados ao mercado norte-americano, um volume que representa 16,5% das vendas do Brasil para o país. A informação foi divulgada nesta sexta-feira (24) pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic), acendendo um alerta para diversos setores produtivos, incluindo aqueles com forte presença em Goiás.
As medidas, que entraram em vigor em julho de 2026, combinam uma tarifa adicional de 25% previamente anunciada com uma nova sobretaxa de 12,5%, totalizando uma alíquota acumulada de 37,5% sobre determinados produtos. Entre os itens diretamente impactados estão máquinas e equipamentos, diferentes tipos de madeira, gorduras e óleos, calçados, móveis e confecções. Em um estado como Goiás, onde a indústria de alimentos processados utiliza óleos e gorduras, e setores como o moveleiro e de confecções (vestuário) têm grande representatividade, o impacto pode gerar preocupação entre produtores e empresários.
No total, as novas medidas tarifárias alcançam 23,1% das exportações brasileiras destinadas aos Estados Unidos. Enquanto 16,5% recebem a tarifa de 37,5%, outros 4,7% são tributados apenas em 12,5%, e 1,9% pagam somente a sobretaxa de 25%.
### Setores Goianos Sob Alerta e os Produtos Preservados
Apesar das novas barreiras, o Mdic informa que 52,7% das exportações brasileiras para os EUA permanecem fora das novas sobretaxas específicas. Para Goiás, isso representa um respiro em importantes cadeias produtivas. Produtos como café, carnes (bovina, suína e de aves, das quais Goiás é um grande produtor), suco de laranja e frutas, além de ferro fundido e grande parte da celulose e diversos produtos químicos, seguem sem as novas sobretaxas. A isenção desses itens é uma notícia positiva para o agronegócio goiano, que tem nas exportações para os Estados Unidos um mercado relevante.
Outros 24,2% das exportações brasileiras para os Estados Unidos continuam sob tarifas setoriais já existentes, reguladas pela Seção 232 do comércio norte-americano, que não acumulam as novas sobretaxas.
### Entendendo as Medidas Comerciais dos EUA
Grande parte das novas tarifas foi adotada com base na Seção 301 da Lei de Comércio dos Estados Unidos (Trade Act de 1974). Este dispositivo autoriza o governo norte-americano a investigar práticas comerciais de outros países consideradas injustas ou prejudiciais aos interesses dos Estados Unidos, podendo impor retaliações. No caso do Brasil, houve duas investigações: uma específica que gerou a sobretaxa de 25%, e outra sobre políticas de combate ao trabalho forçado nas cadeias globais, que resultou na alíquota de 12,5% aplicada a 41 economias, incluindo o Brasil.
A Seção 232 da Lei de Expansão Comercial dos Estados Unidos (Trade Expansion Act de 1962), por sua vez, permite a imposição de restrições a importações quando um produto representa risco à segurança nacional, normalmente estabelecendo tarifas para setores inteiros, como ocorreu com aço e alumínio. É importante notar que produtos já sujeitos às tarifas da Seção 232 não acumulam as novas sobretaxas impostas pela Seção 301.
### Cenário de Instabilidade para o Comércio
O endurecimento das tarifas reflete um cenário de perda de ritmo no comércio entre Brasil e Estados Unidos. Após atingir um recorde de US$ 40,4 bilhões em exportações para os Estados Unidos em 2024, as vendas brasileiras recuaram para US$ 37,7 bilhões em 2025 e continuaram em queda ao longo de 2026. No primeiro semestre deste ano, as exportações somaram US$ 17,4 bilhões, uma retração de 13% em comparação com o mesmo período do ano passado.
Essa desaceleração foi impulsionada principalmente pela queda nas vendas de petróleo bruto (-30,4%) e produtos semiacabados de ferro e aço (-21,7%). Consequentemente, a participação dos Estados Unidos nas exportações brasileiras caiu de 12,1% para 9,4% entre os primeiros semestres de 2025 e 2026. O Mdic avalia que o aumento das tarifas reforça um ambiente de incerteza no comércio bilateral, marcado pela ampliação do uso de instrumentos tarifários por Washington e por mudanças frequentes nas condições de acesso ao mercado norte-americano.
Fonte e Fotos: Agência Brasil
https://agenciabrasil.ebc.com.br/economia/noticia/2026-07/tarifa-de-375-dos-eua-atinge-us-66-bi-em-exportacoes-do-brasil
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