Anvisa aprova tratamento de lúpus e esclerose para crianças e jovens
© Rafa Neddermeyer/Agência Brasil
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou nesta segunda-feira (20) a ampliação do tratamento de lúpus eritematoso sistêmico (LES) e esclerose múltipla (EM) para crianças e adolescentes. A medida, publicada no Diário Oficial da União, traz novas opções de medicamentos e formas de aplicação que prometem maior conforto e acessibilidade aos jovens pacientes e suas famílias, incluindo aqueles que vivem em Goiás. A decisão representa um avanço significativo na saúde pediátrica, permitindo intervenções mais precoces e direcionadas.
Entre as aprovações, o medicamento Benlysta (belimumabe), da GSK Brasil, passa a ser indicado como tratamento complementar para crianças a partir de 5 anos com lúpus eritematoso sistêmico ativo. O Benlysta é destinado a pacientes com alto grau de atividade da doença, que já estejam em tratamento padrão. A novidade inclui as alternativas em caneta aplicadora/autoinjetora, que visam reduzir a necessidade de deslocamentos a centros de infusão. A formulação intravenosa já era aprovada para uso pediátrico.
Outra aprovação importante diz respeito ao Ocrevus (ocrelizumabe), da Roche, agora indicado para pacientes a partir de 12 anos e 40 quilos no tratamento da esclerose múltipla remitente-recorrente (EMRR). Este produto é um anticorpo monoclonal recombinante que contribui para a redução da atividade inflamatória associada à doença. O neurologista e neuroimunologista Caio Disserol, do Hospital de Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP), destacou a relevância. “O reconhecimento da indicação pediátrica do ocrelizumabe é uma notícia muito positiva para neurologistas, pacientes e familiares. Contar com uma terapia de alta eficácia a partir dos 12 anos de idade permite um tratamento mais precoce e direcionado da esclerose múltipla, com potencial para melhorar o prognóstico em longo prazo”, afirmou Disserol.
### Impacto para a Saúde Pediátrica em Goiás
A expansão dos tratamentos para lúpus e esclerose múltipla tem um impacto direto e positivo para crianças, adolescentes e suas famílias em Goiás. A possibilidade de usar medicamentos de alta eficácia com menor frequência de deslocamento a centros de infusão, como as canetas aplicadoras para lúpus, é um benefício substancial. Para muitos goianos que residem em municípios do interior, a necessidade de viajar constantemente para a capital, Goiânia, ou outras cidades com hospitais especializados, representa um grande desafio logístico e financeiro.
A maior autonomia e conforto oferecidos por essas novas formas de tratamento podem aliviar a rotina de cuidados, melhorando a qualidade de vida. A medida nacional de Anvisa, órgão responsável pela regulação sanitária no Brasil, repercute diretamente na capacidade dos hospitais e clínicas goianas de oferecerem as melhores práticas de tratamento. Ao todo, a Sociedade Brasileira de Reumatologia estima que o lúpus afete entre 150 mil e 300 mil pessoas no Brasil, e a esclerose múltipla, embora a manifestação pediátrica seja rara, exige tratamento especializado e precoce.
### Lúpus Eritematoso Sistêmico: Entenda a Doença
O lúpus eritematoso sistêmico (LES) é uma doença inflamatória autoimune que pode afetar múltiplos órgãos e tecidos do corpo, como pele, articulações, rins e cérebro. Em casos mais graves, se não tratada adequadamente, a doença pode ser fatal. Os principais sintomas incluem febre, rigidez muscular e inchaços, lesões na pele que surgem ou pioram com a exposição solar, linfonodos aumentados e queda de cabelo.
A doença afeta principalmente mulheres entre 20 e 45 anos, mas pode se manifestar em crianças, como no caso da recente aprovação. O diagnóstico é complexo, exigindo uma série de exames médicos, como hemograma, biópsia renal e exame de urina. O tratamento é majoritariamente paliativo, focado no controle dos sintomas e na prevenção de danos aos órgãos.
### Esclerose Múltipla: Uma Condição Crônica do Sistema Nervoso
A esclerose múltipla (EM) é uma doença inflamatória crônica e autoimune que atinge o sistema nervoso central. Nela, o sistema imunológico do paciente ataca a mielina, a camada protetora que reveste as fibras nervosas. Esse ataque compromete a comunicação eficaz entre o cérebro e o restante do corpo, gerando diversos sintomas neurológicos.
A forma remitente-recorrente (EMRR), agora com tratamento ampliado para adolescentes, caracteriza-se por episódios de novos sintomas ou agravamento dos existentes, seguidos por períodos de recuperação. A manifestação da esclerose múltipla antes dos 18 anos é considerada uma condição rara e geralmente mais grave. Os sintomas comuns incluem fadiga extrema, dormência, formigamento, alterações visuais como visão turva ou dupla, fraqueza muscular, desequilíbrio e dificuldades no controle da bexiga. As causas envolvem predisposição genética e fatores ambientais como infecções virais, tabagismo e obesidade. O diagnóstico é feito por um neurologista, complementado por exames específicos.
Fonte e Fotos: Agência Brasil
https://agenciabrasil.ebc.com.br/saude/noticia/2026-07/anvisa-aprova-medicamentos-pediatricos-para-lupus-e-esclerose-multipla
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