ApexBrasil investe R$ 130 mi para diversificar exportações do Brasil
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A Agência Brasileira de Promoção das Exportações e Investimentos (ApexBrasil) anunciou um robusto plano de R$ 130 milhões, com lançamento previsto para agosto, que visa impulsionar a diversificação das vendas do Brasil no cenário global e mitigar os efeitos das recentes tarifas adicionais impostas pelos Estados Unidos. A iniciativa surge como uma resposta estratégica às barreiras comerciais impostas por Washington, buscando fortalecer a resiliência do comércio exterior brasileiro.
Escalada das Tarifas Americanas e Rejeição Brasileira
A decisão de intensificar a busca por novos parceiros comerciais foi catalisada pela recente confirmação, em 15 de maio, de uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros por parte do Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR). A justificativa apresentada pelos americanos para a taxação foi a alegação de supostas “práticas desleais” de comércio por parte do Brasil, uma acusação veementemente rechaçada pelo governo brasileiro. As autoridades em Brasília argumentam que a medida tem motivação política e que os EUA exigiam uma “abertura total de mercados sem contrapartida”. As novas taxas entrarão em vigor a partir de 22 de julho.
Conforme dados da ApexBrasil, o montante das exportações brasileiras aos EUA que serão afetadas pelas novas tarifas alcançou US$ 7,2 bilhões no ano passado. Em 2025, o total das vendas para o mercado estadunidense somou US$ 38 bilhões. Durante as negociações prévias, a lista de produtos isentos de tarifas foi ampliada de 615 para 699 itens, elevando o valor isento de US$ 20,6 bilhões para US$ 22,8 bilhões, considerando ainda o total exportado em 2025.
Estratégias para Diversificação de Mercados
O plano de R$ 130 milhões da ApexBrasil, entidade vinculada ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic), será implementado em parceria com 57 setores econômicos diversos, englobando cerca de 2,4 mil empresas exportadoras. “A expansão para outros mercados a gente já faz. O que a gente vai trabalhar agora é a diversificação. É um novo olhar sobre novas oportunidades a partir de um novo cenário do comércio internacional”, declarou o presidente da ApexBrasil, Laudemir Müller, em entrevista coletiva nesta sexta-feira (17).
Entre as prioridades para a diversificação de exportações brasileiras, Müller destacou a União Europeia, especialmente em vista do recente acordo com o Mercosul. A Associação de Nações do Sudeste Asiático (Asean), que inclui países como Indonésia, Malásia, Tailândia e Vietnã, também figura entre os alvos devido às suas altas taxas de crescimento. Países da Ásia Central, como Cazaquistão e Uzbequistão, completam a lista de potenciais novos destinos para produtos brasileiros.
“São países de alto crescimento e desenvolvimento, eles têm procurado muito o Brasil para parcerias em investimento e estão crescendo a 7% ou 8% [do Produto Interno Bruto, PIB], com população jovem, e que demandam, inclusive, produtos que o Brasil tem”, pontuou Müller, enfatizando o potencial desses mercados para o comércio exterior do Brasil.
Resultados Precoces da Diversificação
A iniciativa de buscar novos mercados não é totalmente inédita; a ApexBrasil já vinha atuando na diversificação de exportações desde as primeiras tarifas impostas pelos EUA em 2025. O presidente da agência revelou que houve uma retração de aproximadamente US$ 2,6 bilhões nas exportações para os Estados Unidos no primeiro semestre do ano, em decorrência de taxas aplicadas anteriormente. No entanto, o cenário global apresentou um contraponto positivo.
Ainda no primeiro semestre, o Brasil registrou um incremento significativo em outras regiões. “Mas tivemos um aumento de US$ 3,1 bilhões para a Europa, US$ 2,5 bilhões para a Índia, e US$ 10,5 bilhões para a China, só para citar alguns dos destinos mais importantes”, informou Laudemir Müller, sublinhando a eficácia das estratégias de comércio exterior do Brasil.
O trabalho de reorientação de mercado já apresenta frutos tangíveis. Müller destacou que “72% das 2,4 mil empresas que exportam para os EUA, e que são apoiados pela ApexBrasil, já diversificaram o mercado entre junho de 2025 e maio de 2026. Elas acrescentaram, nesse período, pelo menos um novo destino de suas exportações”.
Desafios e Potencial de Crescimento
Apesar do otimismo, o dirigente da ApexBrasil reconhece que a abertura de novos mercados pode variar em complexidade. Enquanto alguns destinos são mais acessíveis, outros demandarão esforços de médio a longo prazo, inclusive a criação de demanda para produtos brasileiros. “Tem outros setores que vão demorar um pouco mais e que talvez seja mais complexo. Muitas vezes a gente precisa, inclusive, criar o mercado em outro país. Nós vamos ter que chegar ao mercado chinês, por exemplo, para dizer ‘olha, existe uma rocha brasileira que tem tal característica e ela pode também servir ao seu mercado’”, exemplificou.
A busca por novos parceiros também se estende a negociações do Mercosul com países como Índia, Japão e Canadá, que representam oportunidades adicionais para reduzir a dependência das exportações para os EUA.
Mesmo diante dos desafios impostos pelas tarifas EUA, o presidente da ApexBrasil avalia que o país tem fortalecido sua imagem internacional como um parceiro “amigo” e “fornecedor estável”. Essa percepção positiva tem se traduzido em resultados concretos. “Tanto é que nós tivemos US$ 77 bilhões de entrada de investimentos no ano passado. Fomos o quinto maior recebedor de investimentos do mundo. Os países em desenvolvimento tiveram um crescimento de 2% na atração de investimentos, o Brasil teve um crescimento de 22% na atração de investimentos e é o principal destino já dos investimentos chineses”, concluiu Müller, reforçando a atratividade do Brasil para investidores globais.
Fonte e Fotos: Agência Brasil
https://agenciabrasil.ebc.com.br/economia/noticia/2026-07/apex-preve-plano-de-r-130-milhoes-para-diversificar-exportacoes
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