Rio de Janeiro sedia 1ª Conferência Internacional de Bandas Sinfônicas da WASBE na América Latina.
© Tomaz Silva/Agência Brasil
Um marco histórico para a música de sopro na América Latina, a 21ª Conferência Internacional da World Association for Symphonic Bands and Ensembles (WASBE) chega ao Brasil, transformando o Rio de Janeiro e Niterói nos epicentros globais do gênero. Músicos, maestros e especialistas de diversas nações se reunirão entre os dias 20 e 26 de julho para um festival inédito, prometendo impactar o cenário cultural e educacional da região e realçar o papel das bandas sinfônicas no desenvolvimento musical.
Organizado a cada dois anos, o evento é reconhecido mundialmente como um encontro único para o universo das bandas de sopro, tendo percorrido 15 países na Europa, América do Norte e Ásia em suas edições anteriores. A escolha do Brasil para sediar esta edição sublinha a crescente relevância do continente. Marcelo Jardim, diretor executivo do comitê organizador local da WASBE Rio, expressou grande entusiasmo, antecipando uma programação robusta com aproximadamente 50 concertos e mais de 200 oficinas musicais, que terão acesso gratuito para participantes de programas sociais.
Foco na Formação e Acessibilidade Musical
A dimensão pedagógica da Conferência Internacional da WASBE é um dos seus pilares centrais. Entre 21 e 25 de julho, a Escola de Música da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) será palco de intensas oficinas instrumentais. Marcelo Jardim, que também atua como vice-diretor e diretor artístico da instituição, detalha o sucesso da iniciativa: “Basicamente lotaram as oficinas. Estamos com quase 800 alunos inscritos para a semana”. Esse engajamento massivo reflete a demanda por atividades de formação e a oportunidade ímpar oferecida pela WASBE Rio aos estudantes de projetos sociais.
Além de nutrir novos talentos, o evento visa mobilizar o poder público em torno das bandas. “A gente está envolvendo muitos gestores públicos nessa conferência porque o Brasil é um país de bandas sinfônicas. A banda sinfônica é uma orquestra que não tem [instrumentos de] cordas. Temos muitas dessas agremiações no Brasil fazendo música de qualidade”, observa Jardim, destacando a singularidade e a qualidade artística desses grupos.
O Legado e os Desafios das Bandas Sinfônicas Brasileiras
O legado das bandas no Brasil ressoa na citação de Heitor Villa-Lobos, lembrada por Marcelo Jardim: “Villa Lobos dizia que a banda é o verdadeiro conservatório de música do povo brasileiro”. Essa afirmação ressalta a profundidade cultural e a capilaridade desses conjuntos, frequentemente a principal manifestação artística em cidades do interior. Atualmente, o Brasil conta com cerca de 6 mil bandas de metais e percussão em plena atividade, com potencial para atingir 10 mil, considerando aquelas que ainda não retomaram as atividades após a pandemia de covid-19. As regiões Sudeste e Sul concentram a maior parte desses grupos, com Minas Gerais liderando, com mais de 800 bandas.
Apesar de sua importância, o setor enfrenta desafios significativos, especialmente no que tange ao apoio financeiro. “Os editais preveem para todas as linhas de cultura, mas as bandas ficaram de fora. A gente está com um movimento de bandas ainda muito forte no Brasil e é o que alavanca o interior. Tem muitas cidades que a maior manifestação cultural é uma banda de música”, defende o diretor, sublinhando a necessidade de maior inclusão nos mecanismos de fomento cultural.
Uma Confluência de Forças para o Sucesso da WASBE Rio
A programação da Conferência Internacional da WASBE se estenderá por vários dos mais icônicos espaços culturais do Rio de Janeiro, incluindo a Sala Cecília Meireles, o Palácio Capanema, o Theatro Municipal, a Escola de Música da UFRJ, o Passeio Público e a Fortaleza São José, com a Ilha Fiscal sediando a cerimônia de abertura. Em Niterói, a conferência realizará atividades no dia 26 de julho, ampliando seu alcance.
A concretização deste megaevento é resultado de uma ampla rede de colaborações. A UFRJ lidera a organização em parceria com a Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa, a Fundação Theatro Municipal do Rio, a Fundação Anita Mantuano de Artes do Estado do Rio de Janeiro (Funarj), a Fundação Nacional de Artes (Funarte) e a Fundação de Artes de Niterói. O apoio se estende a instituições como a Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (Unirio), o Centro Educacional da Serra dos Órgãos (Unifeso), além da Marinha, Exército do Brasil e Corpo de Bombeiros do Rio. “Com essa junção de forças a gente conseguiu emplacar a candidatura do Rio e houve uma mobilização não só no Rio, mas no Brasil e na América Latina, pelo fato ser a primeira vez que a gente está fazendo a primeira conferência internacional de bandas sinfônicas na América Latina da Wasbe”, concluiu Marcelo Jardim, ressaltando o esforço coletivo que tornou possível este evento sem precedentes.
Fonte e Fotos: Agência Brasil
https://agenciabrasil.ebc.com.br/cultura/noticia/2026-07/rio-de-janeiro-sedia-encontro-mundial-de-bandas-sinfonicas-em-julho
