Corpo do professor de surfe Bocão é localizado em São Conrado, Rio
© j.ricardoramos/Instagram
O litoral carioca se despede de uma figura emblemática: o corpo de José Ricardo Ramos, o popular professor de surfe Bocão, foi encontrado na manhã deste domingo (28) no costão da Avenida Niemeyer, na capital fluminense, pelas equipes do Corpo de Bombeiros. A descoberta põe fim a uma angústia iniciada na madrugada da última quarta-feira (24), quando o lendário instrutor de surf desapareceu após entrar no mar de São Conrado para nadar, em circunstâncias que amigos descrevem como um momento de descontrole.
O Desaparecimento no Mar de São Conrado
A ação de busca e resgate mobilizou esforços desde o registro do desaparecimento. Momentos antes de adentrar as águas, o surfista Bocão havia deixado seus documentos em um quiosque localizado na praia, em frente ao posto 13 do Corpo Marítimo de Salvamento, nas proximidades do Hotel Nacional, em São Conrado. Ele manifestou a intenção de nadar até as Ilhas Tijucas, um trajeto conhecido por ele, mas que desta vez seria percorrido sem o apoio de sua prancha.
Legado na Comunidade do Surf
Com uma trajetória de vida dedicada ao esporte e à inclusão social, José Ricardo Ramos era amplamente reconhecido como o fundador da prestigiada Escola de Surfe de São Conrado. Por meio de sua iniciativa, Bocão foi responsável por moldar o futuro de centenas de crianças e jovens da comunidade da Rocinha, oferecendo-lhes não apenas aulas de surfe, mas um caminho de disciplina e oportunidades.
A perda de uma figura tão significativa reverberou intensamente entre familiares e amigos. Ricardo Ramos, DJ e filho do professor, expressou a dimensão do impacto do pai em suas vidas e na comunidade. Emocionado, ele declarou: “A aula dele não era só surf. Era alegria. Meu pai ajudou a formar muita gente, centenas de crianças no surf . Um pilar na transformação social de jovens da comunidade”. Para Ricardo, seu pai será eternamente lembrado como o “rei do surf”.
Homenagens e o Desafio Final
Apesar de seu legado inspirador, o professor de surfe Bocão atravessava um período de dificuldades financeiras, conforme relatado por seu filho Ricardo. Essa situação, combinada com o que amigos descreveram como um estado de estresse e descontrole, adiciona um tom melancólico ao seu último ato. Um amigo próximo, cujo relato foi divulgado pelo rapper Gabriel, o Pensador, detalhou que, embora Bocão tivesse o costume de fazer travessias semelhantes, desta vez ele entrou no mar sem sua prancha, “numa atitude de descontrole e estresse, como se buscasse refúgio no mar num momento problemático da vida”.
O rapper e compositor Gabriel, o Pensador, uma das vozes mais respeitadas da música brasileira, utilizou suas redes sociais para prestar uma tocante homenagem ao instrutor de surf. Gabriel, que conheceu Bocão aos 12 anos, ressaltou a relevância do professor na história do surf do Cantão. Em sua postagem, ele descreveu: “Sempre batalhou muito para apoiar a garotada do morro, incentivando o esporte e o caminho do bem, ensinando surf, arrecadando e recuperando pranchas usadas, entre outras ações solidárias, deixando um legado de bondade e atitude positiva”.
Em meio à dor da despedida, uma rede de apoio se formou rapidamente. Amigos e familiares do professor de surfe Bocão se mobilizaram para arrecadar os fundos necessários para custear as despesas do enterro, demonstrando a forte ligação e o respeito que a comunidade nutria por ele.
Fonte e Fotos: Agência Brasil
https://agenciabrasil.ebc.com.br/geral/noticia/2026-06/rio-desaparecido-desde-quarta-corpo-de-professor-bocao-e-encontrado
