CNJ define uso de IA e sistemas por oficiais de justiça na busca de bens e pessoas

CNJ orienta atuação de oficiais de justiça em inteligência processual no cumprimento de mandados

CNJ orienta atuação de oficiais de justiça em inteligência processual no cumprimento de mandados

Uma iniciativa do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) promete modernizar e agilizar o cumprimento de mandados judiciais em todo o Brasil. Por meio de uma recomendação aprovada por unanimidade em sua 9ª Sessão Virtual, o órgão máximo do Judiciário estabeleceu novas diretrizes para a atuação de oficiais de justiça, incorporando ferramentas de inteligência processual, sistemas informatizados e até inteligência artificial na localização de bens e pessoas, otimizando a efetividade das decisões da Justiça.

A medida representa um passo significativo para a uniformização de práticas já empregadas por diversas cortes estaduais, federais e trabalhistas, elevando-as a um padrão nacional. O objetivo é dotar os oficiais de justiça de recursos tecnológicos avançados, garantindo que a utilização de tais ferramentas eletrônicas de pesquisa observe rigorosos princípios como legalidade, eficiência, transparência, proporcionalidade, segurança da informação e, crucialmente, a proteção de dados pessoais.

### Tecnologia a Serviço do Oficial de Justiça

A nova recomendação do CNJ não apenas formaliza o que já era uma realidade em algumas jurisdições, mas também projeta essas experiências bem-sucedidas para o âmbito nacional. O conselheiro Marcello Terto, relator da proposta, sublinhou a importância estratégica do acesso a esses recursos para o trabalho dos oficiais de justiça. “O acesso a esses sistemas reduz o congestionamento processual e torna as decisões judiciais mais efetivas. O que fazemos agora é traduzir essa experiência acumulada em diretrizes nacionais mínimas, oferecendo aos tribunais uma bússola”, afirmou Terto.

Entre os recursos eletrônicos de inteligência processual agora à disposição dos oficiais para o cumprimento de mandados, destacam-se sistemas robustos do Poder Judiciário. Incluem-se o Sistema de Busca de Ativos do Poder Judiciário (Sisbajud), fundamental para a pesquisa e bloqueio de valores financeiros; o Renajud, que permite a restrição judicial de veículos; o InfoJud, para acesso a informações da Receita Federal em resposta a requisições judiciais; e o Banco Nacional de Medidas Penais e Prisões (BNMP 3.0), que compila dados sobre indivíduos presos, procurados ou submetidos a medidas penais.

### Segurança e Ética no Tratamento de Dados

A regulamentação do CNJ estabelece ainda a obrigatoriedade de rastreabilidade de todos os acessos realizados aos sistemas, com a exigência de preservação das trilhas de auditoria por, no mínimo, uma década. Adicionalmente, a normativa institui uma metodologia detalhada para pesquisa patrimonial e orienta o fluxo de trabalho dos oficiais de justiça, alinhando-se a um normativo anterior do CNJ sobre a localização de pessoas e bens através de sistemas informatizados.

No que concerne ao manuseio das informações coletadas para as diligências de inteligência processual, a recomendação reforça a necessidade de estrita conformidade com a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD). As diretrizes enfatizam o princípio da minimização de dados, a garantia de confidencialidade de todas as informações acessadas e a vedação explícita de seu uso para qualquer finalidade que não esteja diretamente prevista no mandado judicial específico.

### Origem da Iniciativa e Limites de Atuação

A proposta que culminou nesta recomendação teve sua gênese a partir de um pleito apresentado pela Federação das Entidades Sindicais de Oficiais de Justiça do Brasil (Fesojus), sendo posteriormente desenvolvida por um grupo de trabalho dedicado, instituído pelo próprio CNJ. O texto final resguarda a característica essencialmente externa da função de oficial de justiça, proibindo de forma inequívoca a delegação de quaisquer funções jurisdicionais a esses profissionais.

Fonte e Fotos: ROTA JURÍDICA

https://www.rotajuridica.com.br/cnj-orienta-atuacao-de-oficiais-de-justica-em-inteligencia-processual-no-cumprimento-de-mandados/

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