Fachin cria grupo no CNJ para revisar penduricalhos de juízes no Brasil.
Fachin cria grupo de trabalho para revisar penduricalhos da magistratura
Em uma iniciativa que promete redefinir a estrutura salarial do Poder Judiciário brasileiro, o ministro Edson Fachin, que acumula as presidências do Supremo Tribunal Federal (STF) e do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), instituiu um grupo de trabalho com o objetivo de revisar exaustivamente os controversos “penduricalhos” pagos a magistrados em todo o país. A decisão, formalizada por meio de um plano de trabalho assinado na noite da última sexta-feira (5), visa aprimorar o sistema remuneratório e garantir maior transparência.
### Desvendando os Penduricalhos no Judiciário
Os chamados “penduricalhos” referem-se a uma série de verbas indenizatórias instituídas pelos tribunais sob diversas justificativas, mas que carecem de previsão legal expressa. Frequentemente, esses pagamentos adicionais resultam em remunerações que extrapolam o teto constitucional do funcionalismo público, gerando discussões e questionamentos sobre a legalidade e a equidade do sistema.
O novo grupo, composto por especialistas e membros do Judiciário, terá 180 dias para conduzir estudos aprofundados sobre as propostas legislativas existentes acerca da remuneração da magistratura. A finalidade é analisar os impactos dessas verbas no aperfeiçoamento do sistema remuneratório nacional do serviço público. Ao término desse período, a equipe deverá apresentar um relatório completo sobre a situação atual dos penduricalhos, além de uma minuta de projeto de lei que proponha a regulamentação do pagamento dessas verbas indenizatórias a juízas e juízes.
### Esforços de Transparência do CNJ
A criação do grupo de trabalho por Fachin alinha-se a uma série de medidas recentes do CNJ focadas na transparência da remuneração judicial. No final de maio, o Conselho aprovou a implementação de um contracheque único para os magistrados. Essa inovação significa que os tribunais estarão proibidos de manter folhas de pagamento extras para o repasse de verbas adicionais, concentrando todos os pagamentos nas folhas regulares.
Além disso, a nova norma, que será implantada até o final de julho, exige que os tribunais padronizem a nomenclatura das verbas indenizatórias já previstas em lei e pagas aos magistrados. A medida foi tomada após o próprio CNJ enfrentar dificuldades em identificar e classificar a vasta diversidade de nomes e naturezas atribuídas a esses pagamentos em diferentes instâncias do país. Essa padronização é vista como um passo crucial para desmistificar a remuneração do Poder Judiciário.
### Contexto da Decisão do Supremo
A discussão em torno dos penduricalhos ganhou força e visibilidade em março deste ano, quando o Supremo Tribunal Federal referendou uma decisão liminar do ministro Flávio Dino. A medida, de caráter imediato, suspendeu o pagamento de diversas verbas não previstas em lei, chamando a atenção para a necessidade urgente de uma revisão e regulamentação abrangente. A transparência na remuneração do Poder Judiciário é uma das prioridades da atual gestão do Conselho Nacional de Justiça, sob a liderança de Fachin.
Fonte e Fotos: ROTA JURÍDICA
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