Segunda morte por explosão no Jaguaré é confirmada em São Paulo
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A explosão que devastou parte do bairro do Jaguaré, na zona oeste de São Paulo, na última segunda-feira (11), registrou sua segunda vítima fatal nesta quinta-feira (14), intensificando o alerta sobre a segurança em obras de infraestrutura e gestão de companhias públicas. A confirmação da morte de Francisco Altino, de 62 anos, que estava internado no Hospital Regional de Osasco, amplia o impacto humano do grave incidente que abalou a comunidade local.
Morador do bairro, Altino não resistiu aos ferimentos provocados pela deflagração. Sua morte sucede a de outro homem, de 47 anos, que faleceu no local da ocorrência no dia do acidente, evidenciando a gravidade das consequências da explosão no Jaguaré.
Detalhes do Acidente e Resgate
A cadeia de eventos que levou à tragédia começou na segunda-feira, quando equipes da Sabesp realizavam obras na região. Durante os trabalhos, uma tubulação de gás foi atingida, resultando em um forte odor que se espalhou pelo bairro horas antes da explosão. O incidente, que atingiu dezenas de residências, gerou pânico e destruição.
Em resposta imediata aos estragos, foram realizadas 112 vistorias em imóveis da área afetada até o final da noite de quarta-feira (13). Desse total, 86 propriedades foram consideradas seguras e liberadas para o retorno de seus moradores. Contudo, 27 casas sofreram danos mais severos, permanecendo interditadas e exigindo soluções habitacionais para as famílias impactadas pela explosão no Jaguaré.
Repercussão Política e Questão da Privatização
A dimensão do ocorrido levou o governador Tarcísio de Freitas a visitar o local na quarta-feira (13), enquanto as equipes de resgate e avaliação de danos ainda atuavam intensamente. A presença do chefe do executivo paulista na zona oeste de São Paulo se deu em um contexto em que a Sabesp, responsável pelas obras no Jaguaré, tem sua gestão no centro de um debate crucial: a privatização.
A venda de 32% dos papéis da Sabesp, a maior companhia de saneamento do país, foi concluída em 23 de julho de 2024, sob a atual administração estadual. Este processo de privatização foi marcado por um longo e complexo histórico, incluindo pedidos de Comissões Parlamentares de Inquérito (CPIs) e veementes acusações de “desmonte” por parte das representações dos trabalhadores, que alertavam para os riscos de tal medida.
Críticas e Apelo por Revisão de Políticas
Diante do cenário pós-explosão, o Sindicato dos Engenheiros no Estado de São Paulo (Seesp) emitiu uma nota pública expressando pesar pelas vítimas e repudiando o que classificou como “desmonte técnico do saneamento”. A entidade sublinhou a necessidade de apuração rigorosa dos fatos.
Em sua declaração, o Seesp descreveu o caso como uma “tragédia que exige apuração rigorosa, além de revisão urgente de políticas de gestão que colocam em risco a segurança dos trabalhadores, a integridade das operações e o interesse público”. A demanda por responsabilidade e revisão de procedimentos ganha força à medida que as consequências do acidente no Jaguaré se aprofundam e a comunidade busca respostas.
Fonte e Fotos: Agência Brasil
https://agenciabrasil.ebc.com.br/geral/noticia/2026-05/morre-segunda-vitima-da-explosao-no-jaguare-em-sao-paulo
