Lula na Bahia: elo Flávio Bolsonaro e Vorcaro é caso de polícia

"É um caso de polícia", diz Lula sobre relação entre Flávio e Vorcaro

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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva declarou nesta quinta-feira (14) que os vínculos entre o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o banqueiro Daniel Vorcaro, que se encontra detido por acusações de fraudes financeiras, configuram um “caso de polícia”. A contundente afirmação foi feita pelo chefe do Executivo em Camaçari, na região metropolitana de Salvador, Bahia, onde visitava a fábrica de fertilizantes nitrogenados Fafen e respondia a questionamentos de jornalistas.

“Eu não vou comentar, é um caso de polícia, não meu. Eu não sou policial, não sou procurador-geral. O caso dele é de polícia”, asseverou o presidente.

A Polêmica da Conexão Financeira

A polêmica que envolve o senador Flávio Bolsonaro, filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, foi trazida à tona por uma investigação do portal The Intercept Brasil. A reportagem detalha a suposta articulação de um vultoso montante financeiro entre o parlamentar e o empresário do setor bancário.

De acordo com a apuração, Flávio Bolsonaro teria negociado repasses de R$ 134 milhões com Daniel Vorcaro. O objetivo do financiamento seria a produção de um filme que narraria a trajetória política de seu pai, que governou o Brasil entre 2019 e 2022. O escândalo reacende discussões sobre transparência e as conexões entre políticos e figuras do mercado financeiro.

A Teia de Acusações Contra o Banqueiro

Daniel Vorcaro, uma das figuras centrais desta controvérsia, está atualmente preso sob a suspeita de liderar uma organização criminosa especializada em fraudes financeiras. As operações ilícitas teriam sido realizadas por meio do Banco Master, instituição que teve sua liquidação decretada pelo Banco Central no final do ano passado. A decisão do BC ocorreu após a constatação de que o banco não possuía capacidade para honrar os depósitos e aplicações de seus clientes.

A matéria do Intercept revelou evidências cruciais do envolvimento entre o senador e o empresário. Um áudio do próprio Flávio Bolsonaro foi divulgado, onde ele menciona a relevância do projeto cinematográfico sobre seu pai e a necessidade de envio de recursos para cobrir “parcelas para trás”. Complementando as provas, a investigação jornalística também apresentou mensagens de WhatsApp vazadas, além de documentos e comprovantes bancários que indicam a transferência de parte desses valores entre fevereiro e maio de 2025.

Cronologia da Prisão e Acusações

As últimas conversas entre Flávio Bolsonaro e o banqueiro Daniel Vorcaro, reveladas pela reportagem, datam do início de novembro do ano passado. Este período foi particularmente crítico para o Banco Master e para o próprio Vorcaro. Pouco mais de uma semana após a troca dessas mensagens, o Banco Central formalizou a liquidação da instituição financeira.

Em um desdobramento da operação que apura as fraudes financeiras, a Polícia Federal efetuou a prisão do banqueiro. Atualmente, Vorcaro permanece custodiado na Superintendência da PF em Brasília, e a imprensa noticiou que ele estaria negociando um acordo de delação premiada com as autoridades.

A Rota Internacional dos Recursos

Conforme a reportagem, o filme sobre o ex-presidente estaria sendo desenvolvido por uma produtora com sede no exterior, contando com atores e equipes estrangeiras, e seu lançamento está previsto para este ano. A matéria detalha que o apoio financeiro envolveria transferências internacionais originárias de uma empresa controlada por Vorcaro, destinadas a um fundo nos Estados Unidos. Este fundo, por sua vez, é gerido por Paulo Calixto, advogado de Eduardo Bolsonaro, irmão do senador.

Diante das graves revelações sobre os vínculos entre Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro, deputados federais da base governista apresentaram uma denúncia formal à Polícia Federal e à Receita Federal. O objetivo é que as instituições investiguem a fundo as transações e determinem se houve alguma ilegalidade ou se os recursos podem estar ligados a práticas de propina.

A Resposta do Senador Flávio Bolsonaro

Horas após a publicação da reportagem na quarta-feira (13), Flávio Bolsonaro, que inicialmente havia negado as acusações, mudou sua posição. Ele admitiu ter solicitado os recursos e mantido relações com Daniel Vorcaro, embora tenha classificado a situação como uma questão de natureza estritamente privada.

“É preciso separar os inocentes, dos bandidos. No nosso caso, o que aconteceu foi um filho, procurando patrocínio privado para um filme privado sobre a história do próprio pai. Zero de dinheiro público. Zero de lei Rouanet”, esclareceu Flávio.

Em sua manifestação, o parlamentar acrescentou: “Conheci Daniel Vorcaro em dezembro de 2024, quando o governo Bolsonaro já havia acabado, e quando não existiam acusações nem suspeitas públicas sobre o banqueiro. O contato é retomado quando há atraso no pagamento das parcelas de patrocínio necessárias para a conclusão do filme”.

Na mesma nota, o senador negou ter combinado qualquer tipo de vantagem indevida no trato com o banqueiro preso. “Não ofereci vantagens em troca. Não promovi encontros privados fora da agenda. Não intermediei negócios com o governo. Não recebi dinheiro ou qualquer vantagem. Isso é muito diferente das relações espúrias do governo Lula e seus representantes com Vorcaro. Por isso, reitero, CPI do Master já”, completou.

Em um vídeo posteriormente divulgado em suas redes sociais, Flávio Bolsonaro reiterou os mesmos argumentos. Na gravação, ele afirmou que Vorcaro teria deixado de honrar com as parcelas pendentes do patrocínio e mencionou a existência de um contrato assinado referente a esses repasses prometidos. Contudo, o senador não forneceu detalhes sobre o suposto documento.

Fonte e Fotos: Agência Brasil

https://agenciabrasil.ebc.com.br/politica/noticia/2026-05/e-um-caso-de-policia-diz-lula-sobre-relacao-entre-flavio-e-vorcaro

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