Fiocruz patenteia método contra malária resistente no Brasil

Fiocruz obtém patente para tratamento contra malária resistente

© Alex Pazuello/Secom

Um avanço significativo no combate global à malária foi marcado pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), que obteve a patente de um inovador método de tratamento nos Estados Unidos. O composto, conhecido como DAQ, surge como uma esperança crucial para casos da doença que desafiam as terapias convencionais, conforme reconhecimento do United States Patent and Trademark Office (USPTO). A tecnologia, desenvolvida por cientistas do Instituto René Rachou, unidade da Fiocruz em Minas Gerais, pode revolucionar o manejo da malária, especialmente em regiões onde a resistência a medicamentos é um problema crescente.

Inovação Contra a Resistência da Malária

O método patenteado pela Fiocruz concentra-se na capacidade do DAQ de confrontar cepas do Plasmodium falciparum, o parasita por trás das formas mais graves da malária. Sua atuação é diferenciada por superar os mecanismos de defesa que o microrganismo desenvolveu contra medicamentos tradicionais, um desafio crescente para a saúde pública mundial. Essa especificidade faz do DAQ um candidato promissor para preencher uma lacuna terapêutica urgente.

A Redescoberta de um Potencial Terapêutico

O DAQ não é uma substância completamente nova; sua atividade antimalárica já havia sido identificada na década de 1960. Contudo, foi o grupo de pesquisadores da Fiocruz, liderado pela cientista Antoniana Krettli, que impulsionou o ressurgimento de sua pesquisa, aplicando modernas abordagens da química e da biologia molecular. A equipe se dedicou a desvendar as características que tornam o composto eficaz mesmo contra as formas mais resilientes do parasita da malária.

Wilian Cortopassi, pesquisador colaborador da Fiocruz, ressalta a importância dessa retomada: “Essa molécula já tinha sido descrita como promissora, mas acabou sendo deixada de lado. O nosso grupo retomou esse estudo e mostrou um mecanismo único de superar mecanismos de resistência desenvolvidos pelo parasita, ao identificar uma característica estrutural decisiva: a presença de uma ligação tripla na cadeia química.”

O Mecanismo de Ação e Ampla Eficácia

O DAQ opera de maneira semelhante à cloroquina, um fármaco tradicional contra a malária. Ele interrompe um processo vital para a sobrevivência do parasita: a digestão da hemoglobina humana. Ao bloquear o mecanismo que o microrganismo utiliza para neutralizar substâncias tóxicas geradas durante esse processo, o composto provoca a morte do parasita, oferecendo um novo caminho para o tratamento da malária.

As investigações iniciais apontaram uma ação acelerada do DAQ nas primeiras fases da infecção. Além disso, a substância demonstrou eficácia tanto contra as cepas sensíveis quanto as resistentes do Plasmodium falciparum, e apresentou resultados encorajadores contra o Plasmodium vivax, espécie responsável pela maioria dos casos de malária registrados no Brasil, ampliando seu potencial de impacto.

Impacto Econômico e Parcerias Estratégicas

Um aspecto crucial realçado pelos cientistas é o potencial baixo custo de produção do DAQ. Essa característica o torna uma opção altamente estratégica para nações de baixa e média renda, onde a malária continua a ser uma doença endêmica e um fardo significativo para os sistemas de saúde. A acessibilidade é um pilar fundamental para qualquer novo tratamento da malária que almeje um impacto global.

A pesquisa que culminou na patente contou com o apoio de renomadas instituições internacionais e nacionais, como a University of California San Francisco (UCSF), a Universidade Federal de Alagoas (UFAL) e a Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio). Atualmente, novos estudos prosseguem em colaboração com a Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), visando avançar no desenvolvimento desse promissor medicamento.

Desafios Futuros e a Urgência por Novas Soluções

Apesar da promessa notável do DAQ, sua transformação em um medicamento acessível ainda demanda uma série de etapas rigorosas. Testes de toxicidade, a definição de dosagens seguras e eficazes, e o desenvolvimento de uma formulação farmacêutica apropriada são passos incontornáveis para a concretização desse novo tratamento contra a malária.

A patente, concedida em março deste ano, assegura a proteção da invenção até 5 de setembro de 2041. Antoniana Krettli enfatiza o papel fundamental da Fiocruz na aceleração das fases futuras do desenvolvimento do tratamento da malária: “A instituição tem forte atuação na Amazônia, com diagnóstico e acompanhamento de pacientes, além de experiência em testes clínicos. Isso facilita parcerias e o avanço de novos medicamentos.”

Os especialistas reforçam a contínua evolução do parasita da malária, que incessantemente desenvolve mecanismos de resistência aos tratamentos existentes. Por isso, a criação de alternativas terapêuticas inovadoras é imperativa e deve ser uma prioridade contínua, a fim de prevenir uma futura crise de escassez de medicamentos eficazes no combate à doença.

Fonte e Fotos: Agência Brasil

https://agenciabrasil.ebc.com.br/saude/noticia/2026-05/fiocruz-obtem-patente-para-tratamento-contra-malaria-resistente

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