Goiânia cria Rede de Proteção à Mulher e de atenção a vítimas de violência
Prefeito Sandro Mabel cria Rede de Proteção à Mulher e institucionaliza atenção às pessoas em situação de violência em Goiânia (Fotos: Alex Malheiros)
Goiânia avança significativamente na segurança e acolhimento de suas cidadãs e grupos vulneráveis. Na última quarta-feira (6/5), o prefeito Sandro Mabel oficializou no Paço Municipal a criação da Rede de Proteção à Mulher e a institucionalização da Rede de Atenção a Pessoas em Situação de Violência, iniciativas que prometem transformar o combate à violência na capital goiana, garantindo um sistema integrado e humanizado para vítimas. A medida busca oferecer um suporte contínuo, reduzindo a revitimização e otimizando o uso dos serviços públicos.
O novo plano estratégico, que posiciona Goiânia como uma referência nacional no enfrentamento à violência, visa unificar os esforços de diversas esferas. “Goiânia será referência para o Brasil. Estamos integrando todos os serviços municipais e também os atendimentos do Estado e da União, criando uma rede de proteção às vítimas, com atendimento imediato, humanizado e articulado. O nosso objetivo é garantir acolhimento completo, passando pela denúncia, proteção, abrigo, alimentação, acompanhamento psicológico e prevenção, especialmente diante do aumento da violência contra mulheres”, destacou o prefeito Sandro Mabel durante a cerimônia.
Marco Histórico na Proteção à Mulher
A formalização da Rede de Proteção à Mulher em Goiânia representa um passo fundamental, especialmente após 26 anos desde a última iniciativa de tal porte. Cheila Marina de Lima, consultora do Ministério da Saúde e especialista em políticas de saúde da SMS, sublinhou a relevância do momento. “Não é qualquer gestor que faz isso”, afirmou. A promotora de Justiça Carla Brant, coordenadora do Grupo de Atuação Especial na Proteção da Mulher (Gaemulher), ecoou o sentimento, qualificando a assinatura como um marco. “O Ministério Público parabeniza o engajamento de todos nessa luta. Goiânia será referência”, assinalou Brant.
Dados alarmantes apresentados durante o evento reforçam a urgência das novas políticas. Entre janeiro e outubro de 2025, a capital registrou 2.888 casos de violência contra a mulher, com um total de 965 ocorrências apenas em março de 2026. A letalidade é uma preocupação crítica: metade das mortes por violência em Goiânia ocorreu até 32 dias após a notificação, e um quarto das vítimas faleceu em até três dias. Contudo, a efetividade de um sistema de suporte robusto é comprovada: mulheres que recebem encaminhamento adequado para a rede de proteção veem uma redução de 64% no risco de feminicídio, o que evidencia a necessidade premente de um trabalho coordenado.
Estrutura de Acolhimento e Prevenção Ampliada
Uma das novidades concretas que a Rede de Proteção à Mulher trará é a implementação do “Consultório Lilás” em todas as unidades de urgência da capital. Este espaço será dedicado ao acolhimento de mulheres em situação de violência, garantindo privacidade e atendimento especializado. Luiz Pellizzer, titular da Secretaria Municipal de Saúde (SMS), ressaltou a importância da articulação intersetorial. “A principal importância do momento é a articulação em rede. Muitas vezes a gente acompanhava a paciente, mas não sabia do caráter social dela, assim como a área social não conhecia os déficits de saúde. A partir do momento em que temos um comitê que vai acompanhar em conjunto, a ideia é que essa mulher consiga ser atendida em todas as suas necessidades”, frisou Pellizzer.
A Rede de Proteção às Mulheres em Goiânia congrega uma vasta gama de instituições e órgãos. Entre eles estão o Observatório da Mulher (UFG), SMS, Tribunal de Justiça do Estado de Goiás (TJGO), Polícia Penal do Estado de Goiás (PPGGO), Instituto Médico Legal (IML/Sala Lilás), Ordem dos Advogados do Estado de Goiás (OAB-GO), Centro de Referência Especializado de Assistência Social (Creas), Delegacias Especializadas de Atendimento à Mulher (DEAEM), Núcleo Especializado de Defesa e Promoção dos Direitos da Mulher (Nudem), Patrulha Mulher Mais Segura (GCM), Batalhão Maria da Penha (PMGO), Secretaria Municipal de Políticas para as Mulheres (Semasdh), Corpo de Bombeiros do Estado de Goiás (CBMGO), Centro de Referência e Assistência Social (Cras), Polícia Científica do Estado de Goiás (PCIGO), Secretaria Estadual de Desenvolvimento Social (SEDS), Câmara Municipal de Goiânia, Conselho Estadual da Mulher (Conem) e o Conselho Municipal dos Direitos da Mulher de Goiânia (CMDM).
Rede Abrangente para Pessoas em Situação de Violência
Além do foco específico na proteção à mulher, a Prefeitura de Goiânia também institucionalizou a Rede de Atenção a Pessoas em Situação de Violência. Esta iniciativa amplia o escopo de atendimento, buscando garantir integração, agilidade e humanização no suporte a vítimas de todas as idades e perfis. Incluem-se neste amparo crianças e adolescentes, pessoas idosas, pessoas com deficiência, a população LGBTQIAPN+, povos originários, migrantes e pessoas em situação de rua, demonstrando um compromisso com a proteção integral.
Erizania de Freitas, secretária municipal de Políticas para as Mulheres, Assistência Social e Direitos Humanos (Semasdh), enfatizou que todos os órgãos relacionados às políticas setoriais integrarão a rede. “Para que a gente estude caso a caso e possa propor avanços”, disse a secretária. A juíza Hanna Lídia Rodrigues, titular do 1º Juizado de violência doméstica e familiar contra a mulher da Comarca de Goiânia, ressaltou a complexidade e a necessidade de colaboração. “O trabalho começou agora e é árduo. Cada segmento de vulnerabilidade necessita de atenção e escuta especial, além de serviços públicos em áreas diversas”, afirmou a magistrada.
A atuação dessa rede será intrinsecamente intersetorial, englobando áreas como saúde, assistência social, políticas para mulheres, educação, Conselho Tutelar, direitos humanos, Ministério Público, Tribunal de Justiça e forças de segurança pública. Além de oferecer atendimento direto, a rede também se dedicará à vigilância e prevenção da violência, ao monitoramento constante dos casos, à produção e disseminação de dados cruciais para a compreensão do fenômeno e ao apoio fundamental na formulação de novas políticas públicas de proteção eficazes.
O evento de institucionalização contou com a presença de diversas autoridades, incluindo a comandante da Patrulha Mulher Mais Segura, Luiza Sol; a presidente do Conselho Municipal de Direito das Mulheres, Zilene de Paula; o Conselheiro Tutelar da Região Leste, James da Silva; e secretários municipais, fortalecendo o caráter colaborativo e interinstitucional do projeto.
Fonte e Fotos: Prefeitura Municipal de Goiânia
