BC: Juros de 61,5% elevam endividamento e inadimplência de famílias no Brasil
© Marcello Casal JrAgência Brasil
As famílias brasileiras enfrentam um cenário complexo no acesso ao crédito, marcado por custos elevados e uma crescente taxa de inadimplência, ao mesmo tempo em que a utilização dessas modalidades continua a se expandir. As Estatísticas Monetárias e de Crédito, divulgadas pelo Banco Central (BC) na última segunda-feira (27), detalham que, apesar das pressões financeiras, o saldo total das operações de crédito do Sistema Financeiro Nacional (SFN) atingiu R$ 7,2 trilhões em março, impulsionado, em parte, pela demanda por opções de curto prazo, como o cartão de crédito.
A Luta Contra os Juros do Crédito
O custo do crédito para as pessoas físicas no Brasil permanece como um dos principais desafios. Os dados de março do BC indicam que, mesmo com um leve recuo mensal, as taxas de juros operam em patamares que impactam significativamente o orçamento doméstico.
Em março, a taxa média de juros do crédito livre às pessoas físicas permaneceu elevada, em 61,5% ao ano, apesar do recuo mensal de 0,4 ponto percentual (p.p).
Essa persistência de juros altos é um fator determinante para o cenário de endividamento e dificuldades de pagamento que as famílias têm enfrentado.
Endividamento e Inadimplência Crescem entre as Famílias
Apesar de uma modesta queda de 0,1 ponto percentual na inadimplência do crédito total do SFN em março, que ficou em 4,3% da carteira, a análise anual revela um panorama mais delicado, com um aumento de 1,0 p.p. em 12 meses. A situação é ainda mais crítica quando se observa o segmento das famílias:
Entre as famílias, a taxa chegou a 5,3%, com avanço de 1,4 p.p. em um ano.
Os relatórios do Banco Central mostram que o endividamento das famílias brasileiras alcançou 49,9% em fevereiro, marcando um crescimento de 0,1 p.p. no mês e 1,3 p.p. em 12 meses. Paralelamente, o comprometimento da renda com dívidas atingiu 29,7%, uma elevação de 0,2 p.p. na comparação mensal e de 1,9 p.p. em relação ao ano anterior, reforçando a pressão sobre as finanças domésticas.
O Crescimento do Crédito às Famílias
Em meio ao cenário de juros elevados e inadimplência, as operações de crédito no país demonstram notável expansão. O saldo geral das operações de crédito do SFN totalizou R$ 7,2 trilhões em março, com um crescimento de 0,9% no mês. A parcela destinada às famílias representa uma fatia considerável e segue em trajetória de alta.
O crédito às famílias alcançou R$ 4,5 trilhões, com alta mensal de 0,8% e expansão de 10,9% em 12 meses.
Especificamente no crédito livre para pessoas físicas, o saldo chegou a R$ 2,5 trilhões, com um avanço de 1,1% no mês e de 12,3% na comparação com março de 2025. O Banco Central apontou os principais vetores desse crescimento:
O BC destacou o aumento das operações com cartão de crédito à vista, crédito consignado para trabalhadores do setor privado e financiamentos de veículos.
Por outro lado, o crédito direcionado às famílias, que engloba linhas com recursos e condições específicas definidas por regulamentação, totalizou R$ 2,0 trilhões, com um aumento de 0,5% no mês e de 9,3% nos últimos 12 meses.
Panorama Amplo do Crédito Nacional
Em uma visão mais abrangente, o crédito ampliado ao setor não financeiro brasileiro somou R$ 21,0 trilhões em março, o equivalente a 162,3% do Produto Interno Bruto (PIB). Embora tenha havido uma leve retração mensal de 0,3%, a tendência de longo prazo aponta para um crescimento consistente.
Em 12 meses, houve crescimento de 11,2%.
No segmento empresarial, o crédito ampliado para as companhias atingiu R$ 7,1 trilhões, registrando uma expansão mensal de 1,5%. Essa elevação foi impulsionada primariamente pela emissão de títulos privados de dívida, pela obtenção de empréstimos externos e pelas operações realizadas pelo próprio Sistema Financeiro Nacional.
Fonte e Fotos: Agência Brasil
https://agenciabrasil.ebc.com.br/economia/noticia/2026-04/juros-elevados-mantem-pressao-sobre-endividamento-das-familias
