Imposto de Renda: Escolha declaração completa ou simplificada e pague menos
© Marcello Casal jr/Agência Brasil
Milhões de brasileiros se deparam anualmente com uma decisão crucial ao acertar as contas com o Leão: qual modelo de declaração de imposto de renda escolher para otimizar a restituição ou minimizar o valor a pagar? A escolha entre o formato simplificado e as deduções legais representa um ponto fundamental para a saúde financeira do contribuinte, podendo alterar significativamente o resultado final da entrega do Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF) à Receita Federal.
O dilema reside em uma avaliação criteriosa das despesas anuais. Para quem possui um volume considerável de gastos que podem ser abatidos legalmente, a declaração completa tende a ser a opção mais vantajosa. “A declaração completa é ideal para as pessoas que têm muitas despesas dedutíveis na área de saúde, educação, previdência privada e dependentes. Permite que eu detalhe todas as minhas despesas”, elucida Gilder Daniel Torres, professor de ciências contábeis da Faculdade Anhanguera. Em contrapartida, o modelo simplificado, que aplica um desconto padrão de 20% sobre os rendimentos tributáveis (limitado a um teto específico), é mais indicado para quem não acumula tantas despesas que se enquadrem nas categorias de dedução. Segundo o mesmo especialista, “Na declaração simplificada, aplica o desconto padrão de 20%, sem necessidade de comprovação das minhas despesas. É indicada para pessoas que têm pouca despesa dedutível”.
Deduções Essenciais: Saúde e Educação no IRPF
A flexibilidade do modelo completo de declaração se manifesta particularmente nas despesas com educação e saúde, embora cada categoria possua suas próprias regras. Nos gastos educacionais, o abatimento é permitido para mensalidades de ensino regular – o que inclui escolas, cursos de graduação e formações técnicas. É fundamental notar, entretanto, que itens como material escolar e cursos de idiomas não são elegíveis para dedução no IRPF.
Quando o assunto é saúde, as regras se tornam mais abrangentes: não há um teto para o valor que pode ser deduzido. Contudo, é imprescindível estar atento às restrições. Procedimentos com finalidade puramente estética, a compra de medicamentos diretamente em farmácias sem prescrição específica para um tratamento dedutível, e despesas com acompanhantes durante internações hospitalares não são passíveis de abatimento na declaração de imposto de renda.
Como Escolher o Melhor Modelo e Otimizar sua Restituição
A estratégia mais eficiente para qualquer contribuinte é simular ambos os modelos antes da entrega final, explorando todas as possibilidades de deduções legais. A professora Ahiram Cardoso sublinha a importância de registrar despesas com saúde, educação e a inclusão de dependentes para verificar o impacto em cada formato. “Utilizar seus gastos com saúde, educação, colocar seus dependentes na declaração. Gastos com médicos, dentistas, hospitais, plano de saúde, podem ser deduzidos sem limites, desde que comprovados os gastos com dependentes. A educação, desde que respeitado o limite anual. Também é possível utilizar os gastos com seus dependentes”, explica a professora.
Para garantir a decisão mais acertada, Paulo Pêgas, vice-presidente de controle interno do Conselho Regional de Contabilidade do Rio de Janeiro (CRC-RJ), oferece uma dica prática e valiosa. “O contribuinte deve informar as deduções que tem, porque o próprio programa da Receita Federal informa quanto você teria que pagar no modelo completo e quanto você teria que pagar no modelo simplificado. E aí, você escolhe: o menor valor a pagar ou o maior valor a restituir”, orienta o especialista. Essa funcionalidade do programa da Receita Federal permite uma comparação direta, facilitando a escolha pelo cenário financeiramente mais vantajoso.
Em resumo, embora a praticidade da declaração simplificada seja inegável, aqueles com um histórico robusto de despesas médicas, educacionais e dependentes podem encontrar na declaração completa o melhor caminho para uma maior restituição ou um menor imposto a pagar. O segredo está na organização dos recibos e documentos e na simulação atenta dos dois modelos no sistema da Receita Federal.
Fonte e Fotos: Agência Brasil
https://agenciabrasil.ebc.com.br/economia/noticia/2026-04/e-melhor-fazer-declaracao-do-irpf-completa-ou-simplificada
