Tesouro: Carga tributária do Brasil bate recorde de 32,4% do PIB em 2025

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© Raphael Ribeiro/BCB

A carga tributária brasileira atingiu um novo recorde histórico em 2025, alcançando 32,4% do Produto Interno Bruto (PIB), conforme dados preliminares divulgados nesta sexta-feira (10) pelo Tesouro Nacional. O indicador, que mede o peso dos impostos e demais tributos sobre a economia nacional, registrou um incremento de 0,18 ponto percentual em relação a 2024, quando havia sido de 32,22%. Este patamar representa o maior valor desde o início da série histórica, em 2010.

A escalada da carga tributária em 2025 é multifacetada, impulsionada principalmente por um cenário de crescimento econômico e expansão do mercado de trabalho formal. A análise do Tesouro Nacional aponta que a melhora do desempenho da economia contribuiu significativamente para a elevação da arrecadação, refletindo diretamente no bolso do cidadão e das empresas.

Motores da Carga Tributária Recorde

Entre os fatores que mais influenciaram o aumento do peso dos impostos, destaca-se o crescimento do emprego formal e da atividade econômica. Esse movimento gerou um incremento de 0,23 ponto percentual do PIB na arrecadação do Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF) e de 0,12 ponto percentual na contribuição para a Previdência Social. Tais avanços demonstram a sensibilidade do sistema tributário à dinâmica do mercado de trabalho e à renda da população.

Outro ponto que impulsionou a prévia da carga tributária foi a elevação do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), que adicionou 0,1 ponto percentual ao indicador. No ano anterior, medidas do governo elevaram o IOF incidente sobre operações cambiais, de crédito e sobre a saída de moeda estrangeira. Embora inicialmente barrada pelo Congresso, a medida teve sua validade parcialmente assegurada por uma decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), contribuindo para a maior arrecadação.

Cenário Desigual entre Tributos e Esferas

Apesar da tendência de alta geral, nem todos os tributos acompanharam o movimento ascendente. A participação dos impostos federais sobre bens e serviços, que incidem sobre o consumo, registrou uma leve queda de 0,02 ponto percentual em 2025, na comparação com o PIB. Embora o valor nominal da arrecadação tenha aumentado, sua proporção em relação à riqueza produzida pelo país diminuiu.

No âmbito estadual, a receita proveniente do Imposto sobre a Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS), considerado o tributo com maior capacidade de arrecadação no Brasil e intrinsecamente ligado ao consumo, apresentou uma retração de 0,09 ponto percentual do PIB em 2025. Mesmo com o aumento em valores absolutos, o Tesouro Nacional explica que essa dinâmica reflete uma composição do crescimento econômico no ano que se concentrou em setores com menor ou nenhuma incidência do ICMS, impactando a participação do tributo no PIB.

Em contrapartida, na esfera municipal, a arrecadação do Imposto sobre Serviços (ISS) registrou um avanço de 0,02 ponto percentual do PIB. Esse desempenho positivo foi impulsionado pelo crescimento robusto de 2,9% no volume de serviços prestados em 2025, evidenciando a vitalidade do setor.

O Desempenho por Nível de Governo

Ao analisar a carga tributária por nível administrativo, observa-se uma disparidade na performance. A arrecadação do governo federal registrou um aumento de 0,26 ponto percentual em 2025, saltando de 21,34% para 21,6% do PIB.

No contexto estadual, o peso dos impostos recuou 0,1 ponto percentual, passando de 8,48% para 8,38% do PIB. Já nas administrações municipais, a arrecadação tributária apresentou um crescimento de 0,03 ponto percentual, variando de 2,39% para 2,42% do PIB. Este avanço municipal foi impulsionado, principalmente, pela arrecadação do Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores (IPVA) e pelo já mencionado ISS.

Análise por Tipo de Tributo

A consolidação dos dados das três esferas de governo revela mudanças na composição da carga tributária. Os impostos sobre bens e serviços combinados sofreram uma queda de 0,09 ponto percentual do PIB, passando de 13,87% para 13,78% em relação a 2024. Em contrapartida, os impostos sobre renda, lucros e ganhos de capital registraram um aumento de 0,12 ponto percentual, de 9,04% para 9,16% do PIB.

A arrecadação dos impostos sobre a propriedade também cresceu, em 0,02 ponto, de 1,71% para 1,73% do PIB. Os tributos incidentes sobre a folha de pagamento e a mão de obra mostraram um leve avanço de 0,01 ponto, de 0,3% para 0,31% do PIB. O comércio externo e as transações internacionais viram seus impostos subirem 0,05 ponto, de 0,66% para 0,71% do PIB, uma consequência direta do aumento das importações.

Por fim, as contribuições sociais sobre o PIB apresentaram um acréscimo de 0,09 ponto percentual, passando de 6,63% para 6,72%. Este movimento foi majoritariamente puxado pela contribuição para a Previdência Social, que subiu de 5,28% para 5,4% do PIB, em reflexo da recuperação do mercado de trabalho e do emprego no país.

Calendário da Divulgação Oficial

É importante ressaltar que a prévia da carga tributária, calculada pelo Tesouro Nacional, é uma estimativa anual necessária para a prestação de contas da Presidência da República. O valor oficial e consolidado da carga tributária do ano anterior, elaborado pela Receita Federal, é tradicionalmente divulgado apenas no segundo semestre. O Tesouro, por sua vez, costuma apresentar sua estimativa própria entre março e abril, antecedendo o dado definitivo da Receita.

Fonte e Fotos: Agência Brasil

https://agenciabrasil.ebc.com.br/economia/noticia/2026-04/previa-da-carga-tributaria-sobe-para-324-do-pib-em-2025

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