Indiciado por feminicídio, tenente-coronel da PM vai para a reserva com proventos integrais

PM aposenta tenente-coronel preso por suspeita de feminicídio em SP

© Gisele Alves Santana/Instagram

Um tenente-coronel da Polícia Militar, indiciado por feminicídio e fraude processual, foi transferido para a reserva da corporação e passará a receber remuneração na inatividade. A medida, equivalente à aposentadoria na estrutura militar, beneficia Geraldo Leite Rosa Neto, apontado como autor da morte da soldado Gisele Alves Santana. A portaria de inatividade foi publicada nesta quinta-feira (2) no Diário Oficial do Estado, com efeito imediato.

Conforme a publicação oficial, Geraldo Leite terá direito a proventos integrais, considerando sua proporção de tempo de serviço, o que representa uma remuneração praticamente plena. Desde sua prisão, em 18 de março, o pagamento referente à remuneração na ativa estava suspenso pela Secretaria da Segurança Pública de São Paulo (SSP).

Contrariando a aparente benesse da aposentadoria, a SSP salientou que a passagem para a reserva não interfere na responsabilização penal ou disciplinar do militar. A pasta informou que “autorizou a instauração de um conselho de justificação em relação ao tenente-coronel Geraldo Neto, que pode resultar em demissão, perda do posto e da patente. A instrução continua a valer mesmo após a transferência do oficial para a reserva”. Questionada sobre a interrupção da remuneração em caso de demissão ou perda de patente, a SSP explicou que “a interrupção dos vencimentos previdenciários depende de decisão judicial definitiva”.

No âmbito das investigações, o inquérito policial militar que apura a morte da soldado Gisele Alves Santana encontra-se em fase final, aguardando encaminhamento ao Judiciário. Paralelamente, a Polícia Civil já concluiu seu inquérito e o remeteu à Justiça, culminando no cumprimento da prisão preventiva do suspeito, que permanece detido por determinação judicial.

Gisele Alves Santana foi encontrada morta com um tiro na cabeça em 18 de fevereiro, no apartamento que compartilhava com o tenente-coronel na capital paulista. Inicialmente, o caso foi reportado por Geraldo Leite como suicídio, versão que posteriormente foi alterada para morte suspeita pelas autoridades. Laudos do Instituto Médico Legal (IML) revelaram marcas de agressão incompatíveis com a hipótese de suicídio, corroborando a contestação da família da vítima, que desde o início duvidava da versão inicial.

Fonte e Fotos: Agência Brasil

https://agenciabrasil.ebc.com.br/geral/noticia/2026-04/com-salario-suspenso-apos-prisao-pm-tera-remuneracao-na-reserva

What do you feel about this?