Corte da Selic é criticado por entidades como insuficiente para impulsionar a economia

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© Antonio Cruz/Agência Brasil

A recente decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) de diminuir a taxa Selic para 14,75% ao ano gerou reações diversas no cenário econômico. Apesar de reconhecerem a importância do movimento, entidades do setor produtivo o consideram insuficiente para impulsionar o crescimento econômico.

A Confederação Nacional da Indústria (CNI) expressou preocupação, afirmando que o corte não será capaz de interromper a desaceleração econômica, destravar investimentos ou aliviar o endividamento das famílias brasileiras. O presidente da CNI, Ricardo Alban, criticou a cautela do Banco Central, argumentando que ela prejudicará ainda mais a economia. A CNI ressalta que a política monetária permanece excessivamente restritiva, mesmo com a desaceleração da inflação e projeções dentro da meta estabelecida.

A Fecomércio-SP compartilha da preocupação, avaliando que o início do ciclo de queda da Selic ocorreu em um contexto de incertezas internas e externas, limitando a intensidade do corte. A federação aponta que a inflação de serviços continua pressionada e o cenário internacional, marcado pela alta do petróleo, pode dificultar uma queda mais acelerada dos juros.

Em relação ao cenário externo, a Associação Comercial de São Paulo (ACSP) considera que o Banco Central adotou uma postura prudente diante das incertezas globais, como o conflito envolvendo Irã, Estados Unidos e Israel, que elevou o preço do petróleo e aumentou os riscos inflacionários.

No âmbito dos trabalhadores, a Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT) e a Força Sindical criticaram a decisão do Copom. A Contraf-CUT, por meio do economista Gustavo Cavarzan, do Dieese, argumenta que o corte é insuficiente para aliviar o peso das dívidas. A Força Sindical, por sua vez, acredita que o Banco Central errou na intensidade do corte, o que pode prejudicar as negociações salariais. O presidente da Força Sindical, Miguel Torres, enfatizou que “Mantendo a Taxa Selic em patamares estratosféricos, o Banco Central irá prejudicar as negociações das categorias nas campanhas salariais nesse primeiro semestre”.

Apesar das críticas, há um consenso entre as entidades de que o ritmo das próximas decisões será crucial. Indústria, comércio e trabalhadores concordam que uma redução mais intensa dos juros é fundamental para reativar o crescimento, estimular investimentos e reduzir o endividamento na economia brasileira.

Fonte e Fotos: Agência Brasil

https://agenciabrasil.ebc.com.br/economia/noticia/2026-03/industria-comercio-e-sindicatos-pedem-queda-mais-forte-da-selic

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