CPMI do INSS investigará vazamento de dados e mira Galípolo e Campos Neto
© José Cruz/Agência Brasil
Brasília – A Polícia Legislativa do Congresso Nacional investigará o vazamento de informações sigilosas obtidas durante a quebra dos sigilos bancário, fiscal e telemático de Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master. A confirmação foi feita nesta terça-feira (17) pelo senador Carlos Viana (Podemos-MG), presidente da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) que apura irregularidades em descontos de benefícios do INSS.
Viana admitiu “tentativas e vazamentos de algumas informações que deveriam permanecer apenas no âmbito da investigação e informações particulares ligadas à quebra de sigilo de Daniel Vorcaro que poderiam inviabilizar as provas”.
Ainda sobre o caso Vorcaro, o senador informou que pretende questionar o ministro do STF, André Mendonça, sobre a devolução do material apreendido, após a retirada das informações de caráter pessoal. Mendonça havia proibido a CPMI de acessar os dados armazenados na sala-cofre da comissão. Viana garantiu que o interesse da CPMI está no “relacionamento dele com entes da República, com o sistema financeiro e o esclarecimento de onde foi parar o dinheiro roubado dos brasileiros.”
Em outra frente, o presidente da CPMI confirmou que pretende convidar o atual presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, e o ex-presidente, Roberto Campos Neto, para deporem simultaneamente. O objetivo é colher diferentes perspectivas sobre o “Caso Master” e a oferta de crédito consignado em benefícios do INSS, buscando evitar confrontos políticos. “Minha ideia é convidarmos os dois para estarem juntos e receberem o mesmo tratamento diante da comissão e responderem a todas as perguntas de forma clara e transparente ao país”, declarou Viana.
Ao comentar sobre a nova fase da Operação “Sem Desconto” da Polícia Federal, o senador mencionou que a deputada Maria Gorete Pereira, apontada como central no esquema investigado, foi frequentemente citada nas audiências da CPMI. Ele também previu novas prisões, acrescentando que “Já são 14 os presos ligados ao escândalo do INSS e outras prisões virão”.
Questionado sobre repasses de emendas parlamentares para uma associação ligada à Igreja Batista Lagoinha, Viana respondeu que seis igrejas estão sob investigação e quebras de sigilo foram decretadas. Ele negou que a Igreja Lagoinha tenha recebido recursos do INSS, ressaltando a ligação de um pastor, Fabiano Zettel, com o Banco Master. “Há um relacionamento de um pastor que tinha uma igreja separada, CNPJ separado, e que tinha ligação com o [banco] Master. Ele [Fabiano Zettel] tem que dar explicações e já foi convocado [pela CPMI].”
Viana também comentou a suspensão, pelo INSS, de novas operações de crédito consignado envolvendo o Banco C6, devido a irregularidades e cobranças indevidas. “Sempre foi um apelo dessa presidência [da CPMI] interromper, imediatamente, as práticas abusivas, proteger o aposentado, corrigir o sistema e responsabilizar quem errou”, afirmou.
Por fim, o presidente da CPMI defendeu a prorrogação do prazo de funcionamento do colegiado, com encerramento previsto para 28 de março. “É um ano eleitoral, mas nós não podemos perder o foco, que é investigar o rombo na Previdência e fazer com que não aconteça novamente na história do país”, concluiu.
Fonte e Fotos: Agência Brasil
https://agenciabrasil.ebc.com.br/politica/noticia/2026-03/policia-legislativa-vai-investigar-vazamento-de-dados-de-vorcaro-0
