Judocas brasileiras inspiram novas gerações e celebram conquistas femininas no esporte

Judocas brasileiras superam preconceito e inspiram jovens atletas

© Tomaz Silva/Agência Brasil

Em um evento dedicado à equidade de gênero e desenvolvimento social, realizado no Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) por ocasião do Dia Internacional da Mulher, as judocas da seleção brasileira Rafaela Silva e Jéssica Pereira compartilharam suas experiências no esporte de alto rendimento, abordando as dificuldades e os preconceitos enfrentados ao longo de suas carreiras. A gerente de comunicação da Confederação Brasileira de Judô (CBJ), Camila Dantas, conduziu a conversa.

Rafaela Silva, medalhista olímpica, destacou a importância de inspirar novas gerações através de sua trajetória: “Quando eu comecei a fazer esses eventos, eu via que eu não podia parar, porque através da minha história, da minha conquista ali, da minha medalha, eu estava inspirando outras gerações”. Ela recordou seu início no judô aos 5 anos, em um projeto social na Cidade de Deus, no Rio de Janeiro, onde encontrou um ambiente acolhedor, diferente das aulas de futebol onde era a única menina.

Jéssica Pereira, tricampeã pan-americana e hepta campeã brasileira, compartilhou que o judô foi uma forma de escapar da violência na Ilha do Governador, sendo inscrita no esporte por sua mãe, junto com seus cinco irmãos, para ocupar o tempo das crianças. Ela expressou a gratificação de inspirar jovens atletas: “Quando eu recebo uma mensagem no Instagram dizendo que eu sou uma inspiração ou uma criança dizendo assim: ‘Ah, eu entrei no judô porque eu te vi lutar’. Esses momentos são muito gratificantes, e a gente sabe que serve como inspiração pra nova juventude que tá vindo aí”.

Rafaela Silva relembrou que, no início de sua carreira na seleção brasileira, em 2008, as atletas femininas eram excluídas dos treinos no Japão, devido à falta de confiança em seu nível técnico. Ela enfatizou que essa realidade mudou com o tempo, mas que ainda persiste a necessidade de combater a visão de que o judô feminino é diferente do masculino. “O judô feminino é igual o masculino. A gente luta o mesmo tempo de luta, a gente recebe a mesma premiação, a gente tem as mesmas oportunidades e as pessoas ainda têm essa visão, né?”, disse.

As atletas também mencionaram o preconceito enfrentado por serem mulheres no esporte, tanto por parte de familiares quanto em competições internacionais. Apesar dos desafios, o judô feminino brasileiro tem conquistado importantes vitórias, como as medalhas olímpicas de Sarah Menezes, Rafaela Silva e Beatriz Souza. Mayra Aguiar é a maior medalhista brasileira no judô, com três bronzes olímpicos.

A Federação Internacional de Judô tem investido no desenvolvimento da categoria feminina, introduzindo a competição por equipes mistas em 2017, o que incentivou países com tradição no esporte a profissionalizar atletas mulheres. Rafaela Silva, de olho nas Olimpíadas de 2028 em Los Angeles, observou o aumento da presença feminina nas competições e não planeja se aposentar.

Fonte e Fotos: Agência Brasil

https://agenciabrasil.ebc.com.br/geral/noticia/2026-03/judocas-brasileiras-superam-preconceito-e-inspiram-jovens-atletas

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