Feminicídios recordes em SP: Medo e Insegurança Cerceiam Direito de Ir e Vir das Mulheres

Mulheres estão perdendo o direito de ir e vir, diz Amelinha Teles

© Paulo Pinto/Agência Brasil

A crescente onda de violência contra a mulher, especialmente em São Paulo, tem gerado insegurança e medo, limitando o direito fundamental de ir e vir, conforme alertou a jornalista e escritora Maria Amélia de Almeida Teles, da União de Mulheres de São Paulo. A declaração foi feita durante a Audiência Pública Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher, promovida pelo Ministério Público de São Paulo.

Em 2025, o estado de São Paulo registrou um recorde de 270 feminicídios, o maior número desde 2018, representando um aumento de 6,7% em relação a 2024, que teve 253 casos. “Ficamos com medo de sair. Estamos até fazendo grupos para sair, porque, sozinha, está difícil”, relatou Amelinha, como é conhecida a ativista.

Amelinha citou a pesquisa “Viver nas Cidades: Mulheres”, que revelou que sete em cada dez mulheres já sofreram algum tipo de assédio moral ou sexual em dez capitais brasileiras. Ela lamentou que, apesar dos avanços legais como a Lei Maria da Penha, a proteção às mulheres que denunciam violência ainda é insuficiente.

A ativista destacou que mesmo mulheres com medidas protetivas concedidas pela Justiça estão sendo vítimas de feminicídio. Um levantamento do Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP) mostrou que 21,7% das vítimas de feminicídio na cidade de São Paulo possuíam medida protetiva. Em 16 unidades da federação, de um total de 1.127 feminicídios analisados pelo FBSP, 13,1% das mulheres foram mortas mesmo com a medida protetiva vigente.

“Está faltando fiscalização, acompanhamento. Tem que ter um serviço qualificado, com pessoal qualificado para poder atender a essa mulher e acompanhar cada caso”, ressaltou Amelinha, que também criticou o isolamento do movimento feminista pelo poder público no combate à violência de gênero, afirmando que “está faltando democracia nesse estado e nessa cidade”.

Ela ainda alertou para o receio das mulheres em procurar os serviços de proteção devido ao sucateamento e à falta de funcionários. “As mulheres estão com medo de procurar os serviços. Elas falam pra gente, porque os serviços estão sucateados, com pouquíssimos funcionários frente à demanda.”

A Agência Brasil solicitou um posicionamento do governo de São Paulo sobre o assunto, mas não obteve resposta até o fechamento da reportagem.

Fonte e Fotos: Agência Brasil

https://agenciabrasil.ebc.com.br/direitos-humanos/noticia/2026-03/mulheres-estao-perdendo-o-direito-de-ir-e-vir-diz-amelinha-teles

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