Goiás decreta emergência por SRAG após 115 mortes; bebês são os mais afetados
© Tony Winston/Agência Brasília
Goiás decretou situação de emergência em saúde pública devido ao alarmante avanço da Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) no estado, uma medida que visa conter a escalada de casos e óbitos, especialmente entre crianças pequenas. Dados atualizados revelam uma concentração preocupante de infecções na população infantil, acendendo um alerta sobre a necessidade de reforço nas estratégias de saúde e prevenção.
Goiás Declara Emergência de Saúde Pública
A decisão de declarar situação de emergência de saúde pública foi formalizada pelo governo goiano na última quinta-feira (16), quando o estado já contabilizava 2.560 casos de SRAG. A medida, com validade de 180 dias, estabelece a criação de um centro de operações para monitoramento e gestão da crise, além de autorizar a aquisição de insumos e materiais essenciais, bem como a contratação de serviços e pessoal por tempo determinado, com dispensa de licitação. As ações buscam agilizar a resposta à crescente demanda por atendimento. “Nesse período, a administração pública estadual deverá providenciar o regular processo de licitação”, determinou o decreto. Os processos vinculados a essa emergência tramitarão em regime de urgência e prioridade em todas as esferas da administração estadual.
SRAG: Crianças e Idosos em Alerta Máximo
O cenário epidemiológico em Goiás é delicado, com 115 mortes registradas devido à Síndrome Respiratória Aguda Grave até o início da tarde deste domingo (19). A faixa etária mais impactada são os bebês, com até dois anos de idade, respondendo por impressionantes 42% do total de casos (1.139 de 2.671). Além disso, pessoas acima de 60 anos também configuram um grupo de atenção especial, somando 482 casos, o equivalente a 18% das ocorrências gerais de SRAG.
Avanço Viral: Influenza e Outros Agentes em Foco
A análise dos agentes etiológicos por trás da SRAG em Goiás revela que 148 casos estão associados à circulação do vírus da Influenza, enquanto outros 1.080 foram relacionados a diferentes vírus. Um ponto de preocupação para as autoridades de saúde é o monitoramento da variante K do vírus da Influenza, que tem sido detectada em circulação e demanda atenção contínua para evitar um agravamento ainda maior do quadro respiratório.
Distrito Federal Monitora Variante K da Influenza
A situação se estende para o Distrito Federal, onde a Secretaria de Saúde local informou que a variante K da Influenza já se tornou predominante na América do Sul neste ano. Contudo, o secretário de Saúde, Juracy Cavalcante, buscou acalmar a população quanto à severidade da doença: “Mas, até o momento, não há evidências de aumento da gravidade dos casos nem de perda de eficácia das vacinas disponíveis”, afirmou. Na capital federal, 67 casos de SRAG por influenza foram confirmados, com um registro de óbito. Juracy Cavalcante enfatizou a importância do acompanhamento constante: “Apesar do cenário de 2026 sugerir, até o momento, a ocorrência dentro do padrão sazonal esperado de influenza, a dinâmica reforça a importância do monitoramento contínuo diante da possibilidade de aumento de casos nas próximas semanas. Seguimos com monitoramento permanente, e a população pode permanecer tranquila, mantendo a vacinação em dia.”
Fiocruz e o Cenário Nacional de Vírus Respiratórios
Uma análise mais ampla do cenário nacional foi apresentada pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) em boletim divulgado nesta semana. O estudo destacou um crescimento dos casos de SRAG em crianças menores de dois anos em quatro das cinco regiões do país: Norte, Nordeste, Centro-Oeste e Sudeste. Segundo a Fiocruz, o vírus sincicial respiratório (VSR) é o principal fator por trás do aumento das hospitalizações nessa faixa etária, afetando significativamente estados como Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás e Distrito Federal (Centro-Oeste), São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro e Espírito Santo (Sudeste), além de localidades no Norte. Em contrapartida, os casos graves de COVID-19 seguem em baixa em território brasileiro.
Vacinação: A Estratégia Contra Doenças Respiratórias Graves
Em resposta à ameaça da Síndrome Respiratória Aguda Grave, o Ministério da Saúde mantém campanhas de vacinação cruciais. A campanha nacional contra a influenza segue em vigor, priorizando grupos de maior vulnerabilidade, como crianças de 6 meses a menores de 6 anos, idosos e gestantes, que são mais suscetíveis a desenvolver formas graves da doença. A vacina contra a COVID-19 é recomendada para todos os bebês a partir dos 6 meses, com doses de reforço indicadas para idosos, gestantes, pessoas com deficiência, comorbidades ou imunossuprimidas, e outros grupos de risco. Além disso, desde o ano passado, o Ministério da Saúde disponibiliza a vacina contra o vírus sincicial respiratório (VSR) para gestantes, uma medida preventiva fundamental para proteger os recém-nascidos, que são os principais alvos do vírus causador da bronquiolite.
Fonte e Fotos: Agência Brasil
https://agenciabrasil.ebc.com.br/saude/noticia/2026-04/goias-tem-42-dos-casos-de-sindrome-respiratoria-ate-2-anos-de-idade
