Feminicídio e pautas feministas marcam o Dia da Mulher em Brasília

“Parem de nos matar”: exigem mulheres no 8 de março em Brasília

© Valter Campanato/Agência Brasil

Em Brasília, o Dia Internacional da Mulher foi marcado por uma manifestação contra o crescente número de feminicídios no Brasil. Centenas de pessoas se reuniram próximo à Torre de TV, no centro da capital federal, no domingo (8), portando cartazes com a frase “Parem de Nos Matar” para denunciar a violência de gênero.

O ato, que reuniu grupos musicais, partidos políticos, sindicatos e coletivos feministas, também levantou outras pautas, como o fim da escala 6×1, considerada particularmente exaustiva para as mulheres, e críticas ao governo do DF, liderado por Ibaneis Rocha, devido à tentativa de compra do Banco Master pelo BRB. Questões internacionais, como as ações dos EUA no Irã, Cuba e Venezuela, e a situação na Palestina, também foram temas abordados.

A violência de gênero foi um ponto central do protesto. A artista plástica Daniela Iguizzi expôs sua obra “Medo”, retratando um revólver apontado para uma mulher. “A mulher não tem um minuto de paz. Ela não tem sossego no seu lar. Ela não tem sossego no seu trabalho. Em todos os lugares nós podemos ser assediadas, podemos ser assassinadas. Por isso, o nome dessa obra é medo. Medo é o que toda mulher brasileira sente”, disse Iguizzi à Agência Brasil.

Dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública indicam que, em 2025, o Brasil registrou 1.568 feminicídios, um aumento de 4,7% em relação ao ano anterior. Raquel Braga Rodríguez, coordenadora do grupo de maracatu Baque Mulher Brasília, expressou a preocupação com esses números e a expectativa de que o Pacto Nacional contra o Feminicídio, lançado pelo governo, seja efetivamente implementado. “O governo lançou esse Pacto Nacional contra o Feminicídio e a gente gostaria muito que essa política pública fosse realmente colocada em prática, que a gente visse resultado na redução desses números”, afirmou Raquel.

Lydia Garcia, militante do movimento de mulheres negras do DF, participou da manifestação aos 88 anos, ressaltando a força e a luta das mulheres, especialmente as negras. “Nós mulheres, principalmente as mulheres negras, estamos impondo a este mundo e a este Brasil a nossa força, as nossas lutas e vitórias por dias melhores contra a violência dos jovens negros, contra o feminicídio”, disse Lydia.

Jolúzia Batista, da Articulação de Mulheres Brasileiras (AMB), criticou a falta de recursos para políticas públicas de proteção às mulheres no DF, em meio ao escândalo financeiro envolvendo o BRB. “Estamos vivendo um escândalo financeiro no Brasil com o banco do GDF [o BRB] sendo rifado e faltando dinheiro para a política pública”, declarou Jolúzia. A ativista também defendeu que a luta das mulheres deve incluir a busca por um orçamento que financie políticas públicas para melhorar a vida de meninas e mulheres. “A gente precisa falar de orçamento. Com as emendas parlamentares, as emendas Pix, elas levaram o dinheiro da política pública. Perdemos qualidade de serviço, perdemos capacitação de profissionais, perdemos em campanhas educativas”, completou.

Thammy Frisselly, uma das organizadoras do ato, destacou os avanços conquistados pelo movimento de mulheres em Brasília ao longo dos últimos dez anos, como o aumento no número de delegacias especializadas. “O 8M [8 de março] é o maior ato político feminista da capital federal. A gente teve muitos avanços, não só nas leis, mas também no aumento no número de delegacias para mulheres”, detalhou Thammy. Ela também ressaltou que a violência contra a mulher é hoje debatida na sociedade devido à pressão dos movimentos ao longo dos anos. “Podemos falar hoje abertamente que é violência o seu ‘psiu’ no meio da rua, que é violência você falar da minha roupa. Essa é uma educação bem na base que é resultado da luta das mulheres”, concluiu.

Fonte e Fotos: Agência Brasil

https://agenciabrasil.ebc.com.br/direitos-humanos/noticia/2026-03/parem-de-nos-matar-exigem-mulheres-no-8-de-marco-em-brasilia

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