CPI do Senado convida Moraes, Toffoli e familiares para depor sobre caso Banco Master

Crime Organizado: CPI convida Moraes e Toffoli para falarem do Master

© Andressa Anholete/Agência Senado

Brasília – A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Crime Organizado no Senado Federal aprovou, nesta quarta-feira, requerimentos para convidar os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes e Dias Toffoli, a prestarem esclarecimentos no âmbito da investigação sobre fraudes envolvendo o Banco Master.

A decisão da CPI também estende o convite à esposa de Alexandre de Moraes, Viviane Barci de Moraes, e ao irmão de Dias Toffoli, José Carlos Dias Toffoli, todos relacionados ao mesmo caso.

É importante ressaltar que, por se tratarem de convites, os ministros e seus familiares não são obrigados a comparecer à Comissão. Inicialmente, a proposta era de convocação, o que exigiria o comparecimento, mas a medida foi alterada por falta de consenso entre os senadores, conforme decisão do presidente da CPI, senador Fabiano Contarato (PT-ES).

O senador Eduardo Girão (Novo-CE), autor do requerimento para ouvir o ministro Alexandre de Moraes, justifica a necessidade de esclarecimentos sobre encontros noticiados entre Moraes e o presidente do Banco Central (BC), Gabriel Galípolo, nos quais supostamente teriam discutido a liquidação do Banco Master. Tanto Moraes quanto Galípolo negam que a liquidação do banco tenha sido tema das reuniões, afirmando que os encontros trataram da Lei Magnitsky.

Em relação a Viviane Barci de Moraes, o convite se baseia em informações de que seu escritório de advocacia teria contratos com o Banco Master. O senador Girão argumenta que “tais circunstâncias, por si sós, não configuram ilícito, mas assumem especial relevância quando contextualizadas em um ambiente de potencial captura institucional e sobreposição entre interesses privados e a esfera pública”. Apesar disso, a Procuradoria Geral da República (PGR) já havia arquivado um pedido de investigação sobre o caso, alegando não ter encontrado indícios de irregularidades. Segundo o procurador Paulo Gonet, “No que tange ao contrato mencionado entre a Doutora Viviane Barci de Moraes e o Banco Master, não se vislumbra, a priori, qualquer ilicitude que justifique a intervenção desta instância”.

No que diz respeito aos irmãos Toffoli, o senador Girão questiona decisões do ministro Dias Toffoli no STF, considerando-as “pouco usuais em investigações” complexas. Ele também menciona supostos negócios do irmão do ministro com empreendimentos ligados ao Banco Master. O senador justifica que “Não se formula qualquer imputação de ilicitude penal ao ministro, nem se antecipa juízo de valor. Contudo, a circunstância de o próprio ministro atuar como relator de procedimentos sensíveis no STF relacionados ao Banco Master, somada à existência de interesses econômicos familiares conectados, ainda que de forma indireta, ao mesmo ecossistema financeiro investigado, gera dúvidas legítimas quanto à imparcialidade objetiva”.

O convite a José Carlos Dias Toffoli se baseia em notícias de que ele teria sido sócio do Banco Master em um empreendimento turístico no Paraná. Conforme o documento votado na Comissão, “A participação dos irmãos do Ministro, embora encerrada em 2025, ocorreu em meio a transações em que um fundo de investimento que adquiriu participação no empreendimento tinha como dono figura que, segundo reportagens, era cunhado do controlador do Banco Master”.

Fonte e Fotos: Agência Brasil

https://agenciabrasil.ebc.com.br/justica/noticia/2026-02/crime-organizado-cpi-convida-moraes-e-toffoli-para-falarem-do-master

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