Bloco do Amor: Carnaval de respeito, diversidade e afeto toma conta de Brasília
© Valter Campanato/Agência Brasil
O Bloco do Amor, um dos mais tradicionais do carnaval de Brasília, celebrou sua 11ª edição neste sábado reunindo uma multidão colorida e diversa nos arredores da Biblioteca e do Museu Nacional. Fundado em 2015, o bloco se consolidou como um espaço de manifestações político-poéticas em defesa do respeito, da diversidade e do afeto coletivo, atraindo um público plural, especialmente da comunidade LGBTQIAPN+.
Com o lema “Sonhar como Ato de Existência”, a edição de 2026 reafirmou o compromisso do bloco em promover a alegria e o sonho como ferramentas de resistência e transformação social. A coordenadora geral do Bloco do Amor, Letícia Helena, destaca que a diversidade se manifesta também na variedade de ritmos musicais que embalam os foliões, do axé retrô ao eletrônico, passando pelo pop, MPB e forró.
Letícia Helena explica que o Bloco do Amor surgiu da “necessidade de discutirmos o amor nesta cidade; o que queremos e o que somos, de forma a trazer mais representatividade para os espaços”. A produtora cultural também comemora os avanços observados ao longo dos anos, como a redução significativa nos casos de violência e assédio durante o evento, resultado do trabalho de preparação da equipe de produção e da implementação de protocolos específicos. “Percebemos, ao longo desses anos, muitas coisas melhorando. Isso está nas estatísticas. Para você ter uma ideia, o número de casos de assédio eram muito grandes no começo. Mas em 2024 conseguimos fazer uma festa que, segundo a Secretaria de Segurança Pública, zerou a quantidadde de registros de violência e assédio contra mulheres”, disse a coordenadora.
Para muitos foliões, como o casal Fernando Franq e Ana Flávia Garcia, o Bloco do Amor é um espaço de identificação, arte, segurança e respeito. “É um ambiente com o qual nos identificamos, de muita arte e com muitos artistas. Um lugar seguro para a comunidade LGBT, organizado por amigos que também estão em nossos corações”, afirmou Fernando. Ana Flávia complementa, ressaltando a importância da aceitação e do respeito à diversidade no carnaval.
Jovens como Clarisse Pontes, que está aproveitando seu primeiro carnaval, buscam no Bloco do Amor um ambiente de paz e curtição, onde a diversidade é celebrada. Já o estudante Alasca Ricarte, fantasiado com referências ao mito de Dionísio e à bandeira da bissexualidade, enxerga no carnaval uma oportunidade de se expressar de forma autêntica e de promover a aceitação das diferenças. “O que mais agrada aqui é isso: ser livre como quero, ser aceito e aceitar a todos como todos são”, disse Alasca.
Ana Luíza, outra foliã, escolheu o Bloco do Amor em busca de um carnaval seguro e respeitoso, onde as mulheres não sejam desrespeitadas. Ricardo Maurício, acompanhado da esposa e da filha, destaca a importância de educar as crianças sobre a diversidade e o respeito às diferenças. “Respeitamos diferenças e vivemos na diversidade de um mundo que é grande e diverso. Quero que minha filha saiba disso, e que compreenda a riqueza das diferenças. Ela está acostumada com isso, até porque convive com casais gays e trans. Para ela, a diversidade já é algo trivial”, complementou.
Fonte e Fotos: Agência Brasil
https://agenciabrasil.ebc.com.br/cultura/noticia/2026-02/bloco-do-amor-faz-carnaval-respeitoso-e-livre-de-preconceitos-no-df
