Lonã Ifá Lukumi: Cuba no Carnaval do Rio, da Escravidão à Resistência Cultural

Tuiuti trará semelhanças da diáspora africana no Brasil e em Cuba

© Paraíso do Tuiuti/Divulgação

A escola de samba Paraíso do Tuiuti levará para a avenida um enredo que busca paralelos entre a história do Brasil e de Cuba, focando na herança cultural e religiosa afrodescendente. Intitulado Lonã Ifá Lukumi, o enredo explora a diáspora africana e a resistência à escravidão, com foco na religiosidade afro-caribenha e suas conexões com o Brasil.

O samba-enredo, encomendado ao professor e compositor Luiz Antonio Simas, em parceria com Claudio Russo e Gustavo Clarão, mergulha no significado das três palavras que compõem o título. “Lonã” representa as conexões entre humanos e divindades; “Lukumi” refere-se aos descendentes iorubás escravizados em Cuba; e “Ifá” é definido pelo mestre Nei Lopes como uma “forma de religiosidade” que “une espiritualidade e racionalidade, filosofia e tecnicidade”.

O enredo foi inspirado no livro Ifá Lucumí: o resgate da tradição, de Nei Lopes. O desfile será dividido em seis setores, retratando desde a chegada do Ifá à Terra e sua disseminação para outras civilizações, até a diáspora africana e a resistência à escravidão em Cuba, com destaque para a Revolta de Matanzas, liderada por Carlota Lacumí.

A apresentação também abordará a figura de Adeshina Remigio Herrera, o primeiro babalaô (sacerdote) do Ifá em Cuba, e a interação da espiritualidade dos orixás com a ancestralidade dos povos originários. O desfile explorará ainda elementos do culto religioso, como os locais de assentamento, os rituais sagrados (ebós), comidas e oferendas, ressaltando a semelhança com o candomblé.

O encerramento do desfile tratará da chegada do Ifá Lucumí ao Brasil, no início da década de 1990, com a vinda do babalaô cubano Rafael Zamora Díaz ao Rio de Janeiro. A trajetória de Zamora Díaz, que foi assassinado no Rio de Janeiro, também será lembrada.

A Paraíso do Tuiuti, fundada em 1952, desfilará na terça-feira, dia 17 de fevereiro, buscando repetir o sucesso de 2018, quando conquistou o vice-campeonato com o enredo Meu Deus, Meu Deus, Está Extinta a Escravidão?

Fonte e Fotos: Agência Brasil

https://agenciabrasil.ebc.com.br/cultura/noticia/2026-01/tuiuti-trara-semelhancas-da-diaspora-africana-no-brasil-e-em-cuba

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