CPMI do INSS adia quebra de sigilo do Banco Master e foca em empréstimos consignados
© Rovena Rosa/Agência Brasil
A Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS, sob a presidência do senador Carlos Vianna (Podemos-MG), viveu um dia de debates acalorados e decisões estratégicas. O senador Vianna retirou de pauta o requerimento que solicitava a quebra dos sigilos bancário e fiscal do Banco Master, instituição investigada por suspeitas de fraudes no mercado financeiro.
A justificativa para a retirada, segundo Vianna, reside no escopo da CPMI, que deve se concentrar nos empréstimos consignados de aposentados e pensionistas realizados pelo Banco Master. O senador argumentou que a quebra total dos sigilos bancários extrapolaria o objeto da comissão, tornando os dados coletados inutilizáveis para o relatório final. “Não há sentido em nós pedimos a quebra de 100% das operações, uma vez que esses dados não poderão ser utilizados futuramente dentro do relatório”, afirmou o senador, que sinalizou a possibilidade de análise de um requerimento reformulado em outro momento.
O deputado Marcel Van Hatten (Novo-RS), um dos autores do requerimento, defendeu ajustes no texto e alertou para uma possível tentativa de “blindar” a investigação contra o banco. Em contrapartida, o deputado Paulo Pimenta (PT-RS) alegou que o requerimento foi uma manobra para “criar uma cortina de fumaça” e desviar o foco da investigação dos verdadeiros responsáveis pelos prejuízos aos aposentados. “Nós temos agora que avançar para chegar nos mandantes [do roubo dos aposentados do INSS]. E é exatamente isso que a oposição tenta impedir, criando cortina de fumaça, criando narrativas falaciosas”, disse Pimenta.
O líder do governo no Congresso, senador Randolfe Rodrigues (PT-AP), ressaltou que o acordo de cooperação técnica entre o Banco Master e o INSS para empréstimos consignados foi firmado durante o governo anterior, em setembro de 2020. A deputada Bia Kicis (PL-DF) rebateu as acusações, afirmando que a esquerda tenta “botar a culpa de tudo no Jair Bolsonaro”.
Paralelamente, a CPMI ouviu o depoimento do presidente do INSS, Gilberto Waller Júnior, que detalhou os motivos que levaram à não renovação do contrato do Banco Master com o INSS. Segundo Waller Júnior, 251 mil dos 324 mil contratos de crédito com aposentados apresentavam irregularidades. “Verificando a quantidade de reclamação dos nossos segurados, entendemos por bem não renovar o acordo de cooperação técnica em 18 de setembro, muito antes de liquidação de Master”, explicou. O presidente do INSS também relatou que os contratos analisados não continham informações essenciais, como o valor emprestado, a taxa de juros e o custo efetivo total, além de apresentarem assinaturas eletrônicas sem a devida certificação.
Além da questão do Banco Master, o senador Carlos Vianna optou por adiar a votação de outros 20 requerimentos considerados polêmicos, incluindo o pedido de prisão preventiva do ex-presidente do INSS, José Carlos Oliveira. A decisão, segundo o senador, visa buscar um consenso entre governo e oposição para o avanço das investigações. “Como sempre faço, busco consenso entre os líderes para que a gente possa avançar. Vários deles foram retirados, mas vários também, uma dezena muito importante de quebras de sigilo, foram aprovados e vão complementar. Naturalmente as investigações da CPMI”, concluiu.
Fonte e Fotos: Agência Brasil
https://agenciabrasil.ebc.com.br/politica/noticia/2026-02/quebra-do-sigilo-do-banco-master-sai-da-pauta-da-cpmi-do-inss
