Da feira em Goiás aos palcos do mundo: a trajetória de músicos formados em escola pública de Brasília

Brasilienses explicam como viraram músicos de carreira internacional

© Joédson Alves/Agência Brasil

A trajetória de Ravi Shankar Domingues, de Santo Antônio do Descoberto, é marcada por uma infância de trabalho e estudo, vendendo panos de prato com a avó para complementar a renda familiar. Aos 10 anos, ele dividia seu tempo entre a escola, o coral e uma banda de forró, demonstrando uma dedicação intensa desde cedo.

A vida de Ravi tomou um novo rumo ao descobrir o oboé na Escola de Música de Brasília. A distância entre sua casa e a escola era um desafio, superado com a ajuda de uma tia e apresentações musicais para custear o transporte. A paixão pelo instrumento o impulsionou a seguir em frente, mesmo diante de previsões pessimistas sobre o mercado de trabalho.

Hoje, aos 42 anos, Ravi é um músico de carreira internacional e professor da Universidade Federal da Paraíba (UFPB). Ele retornou à Escola de Música de Brasília para ministrar um curso internacional de verão, onde compartilha sua experiência com os alunos. “Eu passo por esse corredor da escola e está tudo ainda vivo na minha cabeça. Eu vejo nos atuais alunos histórias como a minha”, diz Ravi.

O diretor da escola, Davson de Souza, destaca a importância de trazer “pratas da casa” como Ravi para inspirar os alunos. “A função principal do curso é formativa. Trazer ex-alunos, hoje internacionalmente reconhecidos, é a melhor forma de mostrar aos participantes o valor do conhecimento”, afirma.

Além de Ravi, outros ex-alunos da escola também participam do curso de verão, como o trombonista Lucas Borges, docente na Universidade de Ohio, e o premiado trombonista José Milton Vieira, que atua na Orquestra Filarmônica de Melbourne, na Austrália. Lucas, que começou na música tocando em blocos de carnaval, recorda: “Com os primeiros R$ 500 que ganhei no bloco. O trombone é um instrumento que se aproxima muito da voz humana, e aquilo me endoidou”.

Jovens talentos como o violonista Ian Coury e o cavaquinista Matheus Donato, que fazem carreira internacional, também compartilham suas experiências com os alunos da escola. Matheus, que hoje reside em Paris, destaca a receptividade do público europeu ao cavaquinho, abrindo espaço para a experimentação musical. “Na Europa, há, às vezes, olhares sem nenhum conhecimento sobre o cavaquinho o que deixa o terreno ainda mais aberto e mais fértil para a experimentação musical, que é a minha maior bandeira hoje com esse instrumento”, afirmou.

Fonte e Fotos: Agência Brasil

https://agenciabrasil.ebc.com.br/cultura/noticia/2026-01/brasilienses-explicam-como-viraram-musicos-de-carreira-internacional

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