90 Anos do Salário Mínimo: Lutas, Reordenamento Social e Pressões das Elites
© José Cruz/Agência Brasil
A criação do salário mínimo no Brasil, oficializada pela Lei nº 185 de 1936 e regulamentada em 1940, completa 90 anos. Historiadores apontam que a legislação foi fruto de intensas lutas dos trabalhadores, marcando uma reordenação social que gerou desconforto nas elites econômicas da época.
O artigo inicial da lei estabelecia o direito do trabalhador a um salário mínimo que atendesse às suas necessidades básicas de alimentação, habitação, vestuário, higiene e transporte, considerando as particularidades regionais e temporais.
O professor Mateus Gamba Torres, da Universidade de Brasília (UnB), destaca que as décadas de 1910 e 1920 foram marcadas por greves que reivindicavam melhores condições de trabalho, visto que, anteriormente, não havia um valor mínimo obrigatório a ser pago pelos empregadores.
Deusdedith Rocha, professor do Centro Universitário de Brasília (Ceub), complementa que a lei surgiu em um período de transição de uma sociedade agroexportadora para um modelo mais urbano e industrial, introduzindo uma nova cultura nas relações trabalhistas, especialmente na Região Sudeste.
Os pesquisadores ressaltam que Getúlio Vargas, então presidente, enfrentou pressões tanto da classe trabalhadora quanto das elites econômicas. Rocha explica que o setor agrário manifestou desconfiança, mas, ao mesmo tempo, adaptou-se estrategicamente à nova realidade, buscando a estabilização social. Gamba, da UnB, conclui que o salário mínimo se consolidou como uma conquista fundamental, permitindo ao trabalhador uma maior possibilidade de sobrevivência.
Fonte e Fotos: Agência Brasil
https://agenciabrasil.ebc.com.br/economia/noticia/2026-01/lei-do-salario-minimo-que-faz-90-anos-organizou-relacoes-de-trabalho
