90 anos da Lei do Salário Mínimo: Centrais sindicais celebram, mas apontam desafios
© Rovena Rosa/Agência Brasil
Nesta quarta-feira, a Lei do Salário Mínimo, criada em 1936 durante o governo de Getúlio Vargas, completa 90 anos, marcando sua relevância para a classe trabalhadora. Centrais sindicais comemoram a data, ao mesmo tempo em que destacam os desafios atuais e futuros para a manutenção do poder de compra dos trabalhadores.
João Carlos Gonçalves, conhecido como Juruna, secretário geral da Força Sindical, enfatiza que “O salário mínimo é fundamental porque baliza primeiro aquelas categorias sem piso salarial. Em segundo, os aposentados e pensionistas. Ele acaba sendo um importante instrumento de distribuição de renda em nosso país”. Juruna também relembra a luta das centrais sindicais para que o reajuste do salário mínimo fosse atrelado à distribuição de renda, uma conquista que garantiu aumento real, mas que, segundo ele, foi interrompida nos governos Temer e Bolsonaro, limitando-se à correção pelo INPC. Ele destaca a retomada da política de aumento real no governo Lula, ainda que em patamares menores.
Ariovaldo de Camargo, secretário de Administração e Finanças da CUT, considera o salário mínimo um “colchão” e “referencial importante” para os trabalhadores, embora aquém do necessário. Ele defende uma política de recuperação “mais acelerada”, que transforme o reajuste real em política de Estado, superando a descontinuidade observada após 2016, quando “passamos seis anos sem ter reposição acima da inflação, em alguns momentos até abaixo”. De acordo com Ariovaldo, “é preciso criar um mecanismo que seja permanente, que não seja política de governo, mas de Estado, para que possamos ter uma recuperação do salário mínimo de forma perene”.
Ronaldo Leite, presidente da CTB, também celebra a importância do salário mínimo como “uma garantia fundamental para os trabalhadores. O fato de ter um piso constitucional garante minimamente o poder de compra da classe trabalhadora”. Ele reconhece a retomada da política de valorização no governo Lula, mas ressalta a desvalorização histórica do salário mínimo, com o Dieese calculando que o valor ideal seria de R$ 7.106,83. Leite defende a manutenção e ampliação da política de valorização para melhorar as condições de vida dos trabalhadores.
Juruna complementa, defendendo a necessidade de “fortalecer as campanhas salariais, puxando pisos e ajudando a aumentar o consumo interno e a aumentar o PIB e afins. Sindicatos e trabalhadores têm de buscar o crescimento do país”.
Fonte e Fotos: Agência Brasil
https://agenciabrasil.ebc.com.br/economia/noticia/2026-01/sindicatos-celebram-salario-minimo-e-defendem-melhoria-em-reajustes
