Fenabrave projeta crescimento de até 6,1% no setor de veículos, impulsionado por motos
© Marcelo Camargo/Agência Brasil
A Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave) projeta um crescimento de aproximadamente 3% no licenciamento de carros e veículos comerciais leves, como picapes e furgões, para este ano, estimando a venda de mais de 2,6 milhões de unidades. Em 2025, o setor já havia apresentado um desempenho positivo, com um aumento de 2,58% nas vendas de automóveis e comerciais leves, totalizando 2,5 milhões de unidades comercializadas.
A expectativa da Fenabrave para o setor total, incluindo caminhões e ônibus, é de um crescimento de 3,02% em 2026, com quase 2,8 milhões de unidades vendidas. No ano anterior, o crescimento combinado desses segmentos foi de 2,08%, com o licenciamento de 2,7 milhões de unidades.
A economista da Fenabrave, Tereza Fernandez, avalia que o setor poderia ter um desempenho ainda melhor, declarando: “Nós estamos longe inclusive de atingir o pico de 2011 […] Mas as condições macroeconômicas estão impedindo que a gente cresça mais. Nós estamos com um nível de endividamento das famílias muito alto e os juros não devem cair na velocidade esperada. Então isso tudo é impeditivo para você ter um crescimento maior no setor”.
Para o setor total, que engloba automóveis, comerciais leves, caminhões, ônibus, motocicletas, implementos rodoviários e outros veículos, a federação projeta um crescimento de 6,10% para este ano, impulsionado principalmente pelo segmento de motocicletas, com um crescimento esperado de cerca de 10%. Em 2025, todos os segmentos somados registraram um aumento de 8%, com 5,1 milhões de unidades emplacadas.
O segmento de caminhões, que apresentou um desempenho abaixo do esperado em 2025 devido a dificuldades de crédito e endividamento no setor agropecuário, tem uma expectativa de crescimento de cerca de 3%. No entanto, Tereza Fernandez ressalta que esse crescimento se baseia em um cenário negativo, já que o segmento de caminhões fechou 2025 com uma queda de 8,65%.
Sobre o programa do governo para o setor, Fernandez disse: “Foi muito bom o programa do governo anunciado neste ano […] porque isso vai contribuir para não ser um número negativo [de crescimento] e para a gente ter um desempenho positivo no segmento neste ano”.
Apesar das perspectivas de crescimento, Tereza Fernandez pondera que os problemas macroeconômicos do país ainda são um obstáculo. “O crescimento sustentável no Brasil está difícil de obter porque, em razão do risco inflacionário, está se segurando os juros”, analisa. Ela complementa ainda: “Sem isso, talvez a gente tivesse um desempenho um pouco melhor. A gente está com um crescimento [estimado] de 3,5% para caminhões este ano. Poderia ser 5% ou 6 %. Existe espaço para isso e necessidade, visto que 65% de tudo que eu produzo, eu carrego em um caminhão”.
Fonte e Fotos: Agência Brasil
https://agenciabrasil.ebc.com.br/economia/noticia/2026-01/vendas-de-automoveis-e-comerciais-leves-devem-crescer-3-em-2026
