Nos Bastidores dos Livros: Profissionais Revelam o Propósito e os Desafios do Setor Editorial

Profissionais do setor editorial lembram trajetória e obras preferidas

© Victor Caiano/Divulgação

Em um mercado editorial em expansão, profissionais do setor encontram propósito em seus trabalhos, como relatam à Agência Brasil. Hugo Maciel de Carvalho, editor autônomo e publisher, ex-advogado, hoje celebra sua contribuição na produção de obras significativas. “Eu me orgulho muito de poder ver o meu nome nos créditos de livros que sejam realmente incríveis”, declara, ressaltando o impacto de seu trabalho na vida dos leitores.

Carvalho perdeu a conta de quantos livros já contaram com sua colaboração, mas o que o move é “saber que, de algum jeito, eu ajudei a dar forma a ideias que circulam, são lidas, discutidas, questionadas ? e continuam produzindo sentido no mundo.” Ele nutre um carinho especial por “A Terra Árida”, de T.S. Eliot, traduzido por Gilmar Leal Santos, o primeiro livro publicado por seu selo. O editor também destaca obras como “Autonorama”, de Peter Norton, e “Estrada para Lugar Nenhum”, de Paris Marx, além de aguardar a publicação de “A Escada de Jacó”, da escritora russa Liudmila Ulítskaia.

A paixão pelos livros é uma tradição familiar, com Hugo lendo para o filho desde cedo e frequentando bibliotecas públicas semanalmente. Ele relembra com carinho o incentivo do avô, que o apresentou ao mundo dos livros, culminando na publicação de quatro obras juntos.

A rotina de trabalho é intensa e exige grande concentração, com leituras e releituras constantes. Apesar do prazer na atividade, Carvalho reconhece a desvalorização financeira da profissão, afirmando que “Paga muito pouco”.

Florencia Ferrari, sócia da Ubu, compartilha da visão de que editoras independentes são impulsionadas pelo desejo de publicar obras admiradas. Ela descreve a Ubu como uma plataforma de criação e aprendizado, valorizando um ambiente de trabalho saudável, colaborativo e com posicionamento ético e político.

Adail Sobral, tradutor com mais de 500 livros traduzidos e ex-jurado do Prêmio Jabuti, relata sua trajetória desde o início acadêmico até a profissionalização, traduzindo obras de diversas áreas, de informática a ciências humanas e medicina. Ele destaca o cansaço da profissão e a desvalorização salarial enfrentada ao longo dos anos, embora reconheça uma leve melhora no cenário atual. Sobral ressalta a importância das traduções de áreas técnicas e dos serviços prestados a clientes estrangeiros para uma melhor remuneração. Entre as obras que mais o marcaram estão “Herói de Mil Faces”, de Joseph Campbell, “A troca simbólica e a morte”, de Jean Baudrillard (em parceria com Maria Stela Gonçalves) e as obras completas de Santa Teresa de Jesus.

Fonte e Fotos: Agência Brasil

https://agenciabrasil.ebc.com.br/cultura/noticia/2026-01/profissionais-do-setor-editorial-lembram-trajetoria-obras-preferidas

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