Acordo Mercosul-UE: Setor produtivo brasileiro comemora e projeta oportunidades
© Arquivo/26.07.2012/Tânia Rêgo/Agência Brasil
Entidades empresariais de diversos setores celebraram a recente aprovação do acordo de livre comércio entre Mercosul e União Europeia, após 25 anos de negociações. A proposta obteve o aval do bloco europeu, superando a exigência de aprovação por 15 dos 27 Estados-membros, representando ao menos 65% da população total do bloco.
A Confederação Nacional da Indústria (CNI) classificou o acordo como um marco para a inserção internacional do Brasil e o fortalecimento da indústria nacional. A entidade destaca que, em 2024, quando a UE representou 14,3% das exportações brasileiras, cada R$ 1 bilhão exportado gerou 21,8 mil empregos e movimentou R$ 441,7 milhões em massa salarial, além de R$ 3,2 bilhões em produção. Ricardo Alban, presidente da CNI, afirmou que “A aprovação do acordo é um passo decisivo e cria as condições políticas necessárias para avançarmos rumo à assinatura”. A CNI também vislumbra um potencial de crescimento nas relações comerciais com países do Leste Europeu, como República Tcheca, Polônia e Romênia, especialmente nos setores de indústria, tecnologia e consumo interno.
A Associação Brasileira da Indústria Química (Abiquim) enfatizou o caráter estratégico do acordo para o setor, ao ampliar o acesso a um dos maiores mercados consumidores do mundo, incentivando investimentos, inovação e práticas sustentáveis. André Passos Cordeiro, presidente-executivo da Abiquim, declarou que “O acordo representa uma oportunidade concreta de reposicionar a indústria química brasileira em cadeias globais de maior valor agregado”, criando um ambiente mais previsível e moderno para investimentos, especialmente em bioeconomia, química de base renovável e energia limpa.
Para a Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee), o acordo é um marco essencial para o comércio internacional, podendo impulsionar as exportações do setor eletroeletrônico para a UE em 25% a 30% no médio prazo, além de diversificar os fornecedores de insumos para a produção industrial.
A Confederação das Associações Comerciais e Empresariais do Brasil (CACB) projeta que o acordo abrirá oportunidades para a economia brasileira, atraindo investimentos europeus para o Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai, beneficiando toda a América do Sul. Alfredo Cotait Neto, presidente da CACB, destacou que “O acordo é uma vitória da diplomacia e do setor produtivo”, ressaltando a necessidade de diálogo entre os países para a implementação.
A Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), embora reconheça que o texto não é perfeito, expressou entusiasmo com o acordo, afirmando que ele “mudará substancialmente a forma com que as empresas do Mercosul e da UE fazem negócios, importam, exportam e investem entre si”. Paulo Skaf, presidente da Fiesp, enfatizou a importância de inovar e melhorar a produtividade para competir com os europeus, buscando “assegurar a isonomia competitiva que permita ao empreendedor nacional prosperar”.
A Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan) também celebrou o acordo, prevendo um aumento significativo da corrente de comércio, novos investimentos e crescimento do PIB industrial brasileiro.
A Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg) avalia o acordo positivamente, mas ressalta a necessidade de análise cautelosa de seus impactos sobre a indústria, considerando que Minas Gerais possui uma relação comercial sólida e superavitária com o bloco europeu. A federação destaca que os benefícios serão principalmente para setores como café, mineração, siderurgia, celulose e cadeias industriais integradas, como a automotiva e de autopeças.
O presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de São Paulo (Faesp), Tirso Meirelles, considerou a aprovação do acordo bilateral um avanço importante, ressaltando a necessidade de o governo brasileiro ser parceiro do setor produtivo, protegendo as cadeias produtivas locais.
Fonte e Fotos: Agência Brasil
https://agenciabrasil.ebc.com.br/economia/noticia/2026-01/empresariado-brasileiro-comemora-avanco-no-acordo-com-uniao-europeia
