Brasil condena ação dos EUA na Venezuela e sequestro de Maduro na ONU
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O governo brasileiro reiterou sua condenação à ação armada dos Estados Unidos na Venezuela, incluindo o sequestro do presidente Nicolás Maduro e da primeira-dama Cilia Flores, ocorrido no último sábado. A declaração foi feita durante a reunião de emergência do Conselho de Segurança da ONU, nesta segunda-feira, onde o embaixador Sérgio França Danese alertou para o risco à paz na América do Sul.
Danese ressaltou que intervenções armadas anteriores na região resultaram em regimes autoritários e graves violações de direitos humanos. “O recurso à força em nossa região evoca capítulos da história que acreditávamos ter deixado para trás e coloca em risco o esforço coletivo de preservar a região como uma zona de paz”, afirmou, reafirmando o compromisso do Brasil com a paz e a não intervenção.
O Brasil considera que os Estados Unidos ultrapassaram uma “linha inaceitável” sob a ótica do direito internacional, violando normas da ONU. Danese enfatizou que o futuro da Venezuela deve ser decidido exclusivamente pelo povo venezuelano, por meio do diálogo e sem interferência externa, dentro do marco do direito internacional. “O mundo multipolar do século XXI, que promove a paz e a prosperidade, não deve ser confundido com esferas de influência. Não podemos aceitar o argumento de que os fins justificam os meios”, declarou.
Outros países sul-americanos, como Colômbia e Cuba, também se manifestaram contra as ações dos EUA. A embaixadora colombiana, Leonor Zalabata Torres, afirmou que os EUA violam o direito internacional e a soberania venezuelana, alertando para os impactos humanitários e regionais da crise. “Não existe justificativa alguma, em nenhuma circunstância, para o uso unilateral da força nem para cometer um ato de agressão”, disse Torres.
O embaixador cubano, Ernesto Soberón Guzmán, acusou os Estados Unidos de buscarem o controle da produção de petróleo venezuelano. “O objetivo final dessa agressão não é a falsa narrativa de combate ao narcotráfico, mas o controle das terras e dos recursos naturais da Venezuela, como foi declarado aberta e descaradamente pelo presidente Trump e por seu secretário de Estado”, afirmou Guzmán, negando a presença de agentes de inteligência cubanos na Venezuela.
A Argentina foi um dos poucos países a defender a ação militar dos EUA. O embaixador Francisco Fabián Tropepi considerou o sequestro de Nicolás Maduro como um passo importante no combate ao narcoterrorismo e uma oportunidade para a restauração da democracia no país. “A República Argentina confia que esses fatos representem um passo decisivo contra o narcoterrorismo que afeta a região e, ao mesmo tempo, abram uma etapa que permitirá ao povo venezuelano recuperar plenamente a democracia, o Estado de Direito e o respeito aos direitos humanos”, declarou o diplomata argentino.
Fonte e Fotos: Agência Brasil
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