Captura de Maduro e Intervenção dos EUA na Venezuela Geram Protestos Globais e Divisão na Diáspora Venezuelana
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A captura do presidente venezuelano Nicolás Maduro em um ataque dos Estados Unidos na madrugada de sábado (3) deflagrou uma onda de manifestações ao redor do mundo, incluindo protestos de venezuelanos que emigraram em busca de melhores condições de vida.
Além da detenção de Maduro e da primeira-dama, Cilia Flores, para julgamento nos Estados Unidos sob a acusação de envolvimento com o tráfico internacional de drogas, o governo americano anunciou a intenção de administrar a Venezuela “até que se possa realizar uma transição segura, adequada e criteriosa”. O presidente dos EUA, Donald Trump, também declarou que empresas americanas assumirão o controle do setor petrolífero venezuelano.
A agência Reuters reportou manifestações de venezuelanos em diversos países da América Latina e na Espanha, incluindo cidades como Bogotá, Lima, Quito e Madrid, comemorando a ação americana. Na Cidade do México, atos pró e contra a intervenção militar dos EUA geraram tensão em frente às embaixadas da Venezuela e dos Estados Unidos, exigindo a intervenção policial. Em Buenos Aires, Argentina, manifestantes contrários à ação protestaram em frente à embaixada dos EUA, enquanto outro grupo celebrou a captura de Maduro no Obelisco. Protestos similares foram registrados em cidades dos Estados Unidos, como São Francisco e Nova York.
Desde 2014, cerca de 20% da população venezuelana deixou o país, tendo como principais destinos a Colômbia, com 2,8 milhões de venezuelanos, e o Peru, com 1,7 milhão, de acordo com a plataforma R4V, grupo de ONGs regionais que prestam assistência a migrantes e refugiados da Venezuela, criado pela agência de migração da ONU.
Andrés Losada, venezuelano que vive na Espanha há três anos, expressou à Reuters um misto de preocupação e esperança em relação à situação na Venezuela: “Embora o que as pessoas estejam passando em Caracas seja difícil, acredito que, além disso, há uma luz que nos levará à liberdade”. Em Quito, Maria Fernanda Monsilva manifestou o desejo de que Edmundo González, principal candidato da oposição venezuelana na eleição presidencial de 2024, possa assumir o poder, expressando o desejo de muitos exilados de retornar ao país.
Diante da declaração americana de controle sobre a Venezuela, o Supremo Tribunal de Justiça da Venezuela (TSJ) designou a vice-presidente executiva Delcy Rodríguez para assumir a presidência interina do país.
Em Caracas, manifestantes repudiaram a intervenção americana. José Hernandez, participante do protesto, classificou a operação estrangeira como criminosa: “Os outros países do mundo precisam ter muita clareza sobre o modo completamente criminoso com que os Estados Unidos estão agindo. Isso é extrair, ou melhor, roubar recursos de outros países que têm energia e minérios”.
Fonte e Fotos: Agência Brasil
https://agenciabrasil.ebc.com.br/internacional/noticia/2026-01/venezuelanos-no-exterior-reagem-ataque-dos-eua-e-queda-de-maduro
