Greve de petroleiros: federações divergem sobre continuidade da paralisação
© Fernando Frazão/Agência Brasil
A greve dos petroleiros, que completou nove dias, revela um racha entre as duas principais federações sindicais da categoria. Enquanto a Federação Única dos Petroleiros (FUP), representando 105,4 mil trabalhadores, sinaliza para o fim da paralisação após a aprovação de um indicativo de aceitação da contraproposta da Petrobras, a Federação Nacional dos Petroleiros (FNP), com 26 mil membros, mantém a defesa da continuidade do movimento.
A FUP, que agrega 14 sindicatos, alega que a greve obteve conquistas importantes, incluindo a garantia de que não haverá punições aos grevistas, o abono de 50% dos dias parados e o desconto dos demais sem reflexos, ou a opção por banco de horas. Segundo a federação, foram garantidos “avanços econômicos, sociais e estruturais no Acordo Coletivo de Trabalho, incluindo pagamento de abono, reajustes nos vales alimentação e refeição, criação de auxílio alimentação mensal, redução da participação dos trabalhadores nos custos de transporte e deslocamento”, além de melhorias no plano de saúde. A FUP informou que as unidades permanecem paralisadas até a realização das assembleias de cada sindicato.
Em contrapartida, a FNP considera as concessões da Petrobras insuficientes, e reafirmou a decisão de manter a greve em uma sessão plenária. O secretário-geral da FNP, Eduardo Henrique Soares da Costa, declarou que “seguimos rejeitando, e a greve continua forte”, e informou que uma nova assembleia está agendada para após o dia 26. A FNP mobiliza seus membros nas redes sociais, reforçando que “as assembleias dos grevistas são soberanas a qualquer deliberação dos sindicatos”.
A paralisação, que chegou a afetar diversas instalações da Petrobras, incluindo refinarias, plataformas de produção marítima e terminais operacionais, tem como principais reivindicações melhorias no plano de cargos e salários, uma solução para os Planos de Equacionamento de Déficit (PEDs) da Petros e a defesa da manutenção da Petrobras como empresa pública.
A Petrobras, por sua vez, confirmou ter apresentado ajustes na proposta de acordo coletivo de trabalho, buscando a suspensão da greve e demonstrando “compromisso com o entendimento com a categoria”. A empresa garantiu que a greve não impactou a produção e que o abastecimento ao mercado segue garantido, com equipes de contingência mobilizadas onde necessário, e finalizou afirmando que “A companhia respeita o direito de manifestação dos empregados e se mantém aberta ao diálogo com as entidades sindicais”.
Fonte e Fotos: Agência Brasil
https://agenciabrasil.ebc.com.br/economia/noticia/2025-12/federacoes-se-dividem-sobre-futuro-da-greve-na-petrobras
