Lula defende prioridade ao combate ao crime organizado no Mercosul e alerta sobre risco de conflito militar na América do Sul

Lula defende cooperação sul-americana contra o crime organizado

© Ricardo Stuckert/PR

Durante a Cúpula do Mercosul, realizada em Foz do Iguaçu, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva destacou a importância de combater o crime organizado como prioridade para o bloco, que inclui Argentina, Bolívia, Brasil, Paraguai e Uruguai. Lula enfatizou que essa ação deve ser independente das inclinações políticas dos governos dos países membros.

O presidente Lula salientou que o enfraquecimento das instituições democráticas facilita a expansão de atividades ilícitas e mencionou as ações conjuntas que estão sendo desenvolvidas entre os países sul-americanos. Segundo ele, “A segurança pública é um direito do cidadão e um dever do Estado, independentemente de ideologia. O Mercosul demonstrou disposição de enfrentar as redes criminosas de forma conjunta”. Ele também citou a criação de uma instância de autoridades especializadas em políticas contra as drogas, a assinatura de um acordo contra o tráfico de pessoas e a formação de uma comissão para implementar uma estratégia comum contra o crime organizado transnacional, além de um grupo de trabalho especializado em recuperação de ativos.

Lula também defendeu a regulação dos ambientes digitais para combater o crime e anunciou uma reunião internacional com ministros da área de segurança para discutir o tema. “Concordamos que a internet não é um território sem lei e adotamos medidas para proteger crianças e adolescentes e dados pessoais em ambientes digitais. A liberdade é a primeira vítima de um mundo sem regras”, afirmou o presidente, que propôs a convocação de uma reunião de ministros da Justiça e Segurança Pública do Consenso de Brasília para fortalecer a cooperação sul-americana no combate ao crime organizado.

Na mesma ocasião, Lula abordou a violência contra as mulheres, um desafio de segurança pública no Brasil e em outros países da região. Ele destacou que a América Latina é a região mais letal para mulheres, com 11 assassinatos diários, segundo a Cepal. O presidente informou que enviou ao Congresso Nacional um acordo para garantir que mulheres com medidas protetivas em um país do bloco recebam a mesma proteção nos demais países, e propôs ao Paraguai, que assumiu a presidência do bloco, a criação de um pacto do Mercosul pelo fim do feminicídio e da violência contra as mulheres.

Outro ponto central do discurso de Lula foi o risco de um conflito armado na América do Sul, diante da ameaça de intervenção militar dos Estados Unidos na Venezuela. Lula alertou que “Uma intervenção armada na Venezuela seria uma catástrofe humanitária para o hemisfério e um precedente perigoso para o mundo”.

Além de defender a paz na América do Sul, Lula exaltou a capacidade das instituições brasileiras de superarem a tentativa de golpe de Estado. “A democracia brasileira sobreviveu ao mais duro atentado sofrido desde o fim da ditadura. Os culpados pela tentativa de golpe de 8 de janeiro de 2023 foram investigados, julgados e condenados conforme o devido processo legal. Pela primeira vez na sua história, o Brasil acertou as contas com o passado”, concluiu.

Fonte e Fotos: Agência Brasil

https://agenciabrasil.ebc.com.br/politica/noticia/2025-12/lula-defende-cooperacao-sul-americana-contra-o-crime-organizado

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