PF investiga desvios em emendas parlamentares sem considerar “estatura política”, diz diretor

Diretor diz que PF não mede “estatura política” ao investigar emendas

© Lula Marques/Agência Brasil

Em declaração recente, o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, assegurou que a instituição não considera “a estatura política de quem quer que seja” ao investigar irregularidades em emendas parlamentares. A afirmação veio à tona durante um café da manhã com jornalistas em Brasília, onde Rodrigues apresentou um balanço anual da PF e respondeu a questionamentos sobre a Operação Transparência, que apura desvios no chamado “orçamento secreto”.

A operação, que teve como alvo principal Mariângela Fialek, assessora próxima do deputado Arthur Lira no período em que ele presidiu a Câmara, investiga o uso de emendas sem identificação clara do beneficiário, prática que, em tese, facilita desvios. Segundo o diretor da PF, a investigação busca apurar “todos os elos desse processo, a participação de quem quer que seja” com “serenidade, seriedade e responsabilidade”.

Rodrigues enfatizou que a PF investigará todas as etapas, desde o possível comprometimento na ponta até a participação de intermediários ou parlamentares, reiterando que o próprio Lira ainda não é investigado. Ele ainda mencionou a decisão do ministro do STF, Flávio Dino, que autorizou a operação, destacando que as investigações apontam para uma atuação “contínua, sistemática e estruturada” de Fialek na organização e liberação do orçamento secreto.

O diretor-geral também ressaltou que a PF se mantém “inabalável a pressões políticas de quem quer que seja” e criticou a “fulanização” das investigações, bem como a postura de legisladores que discursam contra o crime organizado, mas votam contra projetos importantes no Congresso. “Não adianta ser duro no crime organizado, acabar com saidinha, e ao mesmo tempo não aprovar projetos importantes que tramitam no Congresso Nacional. Precisamos que o enfrentamento seja responsabilidade de todos”, afirmou.

Rodrigues negou que as investigações configurem uma “caça às bruxas” e garantiu que a PF se preocupa em “não criminalizar a emenda em si nem a atividade política”, reconhecendo a emenda parlamentar como um instrumento legítimo e legal. Ele evitou revelar o número de apurações abertas sobre o tema, mencionando que diversas investigações tramitam sob sigilo no STF.

Fonte e Fotos: Agência Brasil

https://agenciabrasil.ebc.com.br/politica/noticia/2025-12/diretor-diz-que-pf-nao-mede-estatura-politica-ao-investigar-emendas

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